O Campeonato Mundial de Rally - WRC (World Rally Championship) - sempre foi e vem cada vez mais se consagrando como categoria que ganha expectadores e admiradores, particularmente na Europa onde o esporte tem grande popularidade. Historicamente, muitos fabricantes que tem ou tiveram seus carros participando do evento, conseguiram celebrizar estes modelos graças ao desempenho conseguido nas "pistas", onde atualmente os japoneses da Subaru e da Mitsubishi, conseguiram fazer do Impreza e do Lancer verdadeiros objetos de desejo, com suas versões de rua dos modelos que disputam o WRC. Seguindo a mesma fórmula de sucesso, no final de Agosto a versão RS (Rally Sport) do Focus foi lançada na Europa.
O carro foi desenvolvido sob comando de Martin Leach, presidente da Ford na Europa, e que iniciou o trabalho quando era Vice-Presidente de Desenvolvimento de Produto Europeu. Leach, fã de carros esporte e competidor em categorias amadoras, tomou interesse pessoal na performance do produto, cujo lançamento vem sendo especulado já há algum tempo por revistas e internautas na Europa, mas a sua estréia vinha sendo adiada pela Ford até que o carro estivesse do agrado de Leach. Finalmente a data está fixada, e a produção será iniciada na fábrica de Saarlouis, na Alemanha, em setembro - um ano após a primeira apresentação do carro.
A sigla RS foi utilizada pela primeira vez pela Ford, em 1969 no Escort RS1600, que tinha a mesma origem do Ford Focus RS - as pistas de Rally. O renascimento da sigla não poderia ser feito por melhor carro do que o novo Focus RS. Segundo a montadora, 70% do carro foi remodelado totalmente ou parcialmente, em relação ao modelo convencional, produzindo um resultado bastante bom aos aficcionados por esta categoria de carros.
O começo da "brincadeira" vem do motor, que apesar de usar o mesmo conceito do Duratec 2.0 que equipa a versão de passeio, sofreu um reprojeto quase completo a fim de produzir 215 cavalos a 5500 rpm e 31.6 kgfm de torque a 3500 rpm. O novo sistema de gerenciamento eletrônico que controla dezenas de operações do motor, compara o quanto de acelerador o motorista pressiona e a marcha selecionada, a fim de garantir uma curva de torque ideal, nos mais diversos regimes de funcionamento.
Novos pistões e bielas forjados, bem como o comando e as válvulas , também foram alterados para operar sob as elevadas pressões produzidas pela turbina Garret GT2560LS, que opera a pressões superiores a 1,0 bar em regime máximo e que recebe o fluxo de ar resfriado a uma faixa de 40º a 60º, também em regime máximo de um intercooler ar/água. A sobrealimenteção ainda fez necessário o resfriamento dos pistões por spray de óleo e uma nova bomba de água para a refrigeração do motor como um todo. Uma válvula de recirculação foi incluída no sistema para garantir que o turbo lag seja o menor possível. O coletor e o cano de escape em aço inox, também receberam um trabalho a fim de garantir um fluxo dos gases bastante livre a despeito do uso do catalizador.
Como resultado de todo o trabalho feito, basta ao feliz proprietário de uma das poucas unidades que serão produzidas, apertar o push button localizado no painel central em fibra de carbono, para por em funcionamento o poderoso motor Duratec Turbo. Ao engatar a primeira marcha e acelerar, bastarão 6.7 segundos para atingir os 100 km/h ou 15.5 segundos para os 160 km/h. A máxima de 232 km/h, pode não ser assombrosa se comparada a um Ferrari, mas é suficiente para a maior parte das estradas e próxima do limite eletrônico de 250 km/h de muitos modelos comercializados na Europa. Para pará-lo completamente dos mesmos 160 km/h, bastam 93 metros e 4.1 segundos, graças aos freios Brembo de 4 pistões, com atuação em discos ventilados nas dianteiras e sólidos nas traseiras e assistência ABS Bosch MK25.
Apesar de não dispor de tração integral e permanente nas quatro rodas com controle eletrônico de tração, como seus concorrentes japoneses, o RS vem equipado com um novo sistema de diferencial Quaife, que impede o giro em falso das rodas e otimiza a transferência de torque para a roda dianteira que tiver a melhor aderência. O câmbio responsável pelo escalonamento das velocidades é manual de 5 marchas e a embreagem uma custom AP Racing. A alteração na geometria da suspensão dianteira, no seu curso e na calibração de molas e amortecedores, bem como o enrijecimento da carroceria, também tiveram como objetivo a melhor transferência de potência ao solo, além da dirigibilidade do carro.
A dirigibilidade e a estabilidade, mesmo sob condições extremas de pilotagem, são outros pontos fortes do carro, que recebeu reforços estruturais nos braços das suspensões dianteira e traseira e novos cubos de rodas para suportar a ampliação de 95 mm na bitola em relação ao modelo de passeio. A despeito das novas rodas O.Z. Racing de 18 polegadas e pneus Michelin Pilot 225/40 R18, a altura do carro em relação ao solo permanece a mesma, justamente devido a nova suspensão e seu curso.
Esteticamente o resultado, também não poderia ser melhor, já que além do design já moderno e agressivo do Focus, as alterações mecânicas exigiram mudanças visuais, como por exemplo, no aumento lateral dos arcos das rodas para acomodar a bitola maior, nas tomadas de ar incorporadas ao pará-choque dianteiro para melhor respiração do motor, intercooler e freios dianteiros. As mudanças internas, acompanham o restante do estilo e traduzem a natureza esportiva do carro, seja pelos bancos dianteiros Sparco em concha e revestidos em couro azul e preto, como também nas forrações que acompanham o mesmo padrão, ou nos apliques de alumínio escovado na pedaleira e manopla de câmbio, ou ainda no painel que apesar de manter identidade visual com o modelo tradicional, se diferencia do mesmo no quadro de instrumentos, cujo conta-giros e velocímetro denunciam sua vocação para a velocidade.
Mesmo com toda a sua vocação para tornar-se um objeto de desejo e seguir o caminho de sucesso já traçado pelos seus concorrentes, a Ford anuncia uma produção limitada do modelo em 30 unidades diárias na sua fábrica em Saarlouis, na Alemanha. A princípio, o Focus RS deverá ser comercializado apenas em alguns países europeus, sem perspectivas de entrada no mercado americano e tampouco no Brasil, para nossa tristeza!
Joker