Jaguar XJ220
O seleto grupo das super-máquinas, normalmente conta com integrantes de sucesso, que normalmente celebrizaram-se por aliar alta tecnologia, maciças doses de potência e desempenho acima da média, ainda sob a assinatura de algum fabricante renomado. O carro que apresentamos aqui, tem todos estes predicados e mais alguns, porém sua trajetória conturbada revela algumas das razões que impediram que o Jaguar XJ220 se tornasse uma das mais incríveis máquinas de seu tempo.

Já na época de seu nascimento, em plena década de 80, o XJ220 tinha como "concorrentes" nomes de peso: nada mais do que os mitológicos Ferrari F40 e Lamborghini Countach. O ano preciso era 1986 e o então Diretor de Engenharia de Produto da Jaguar, Jim Randle, resolveu trabalhar no projeto de um veículo baseado nos bólidos da TWR (Tom Walkinshaw Racing) que disputavam o Grupo B de Turismo, do qual na ocasião a Jaguar estava afastada, mas que no passado havia participado com sucesso.

Assim, sem apoio oficial da Jaguar, Jim começou a trabalhar de forma independente juntamente com outros 12 engenheiros, que reuniam-se em sua casa, para produzir o primeiro protótipo do XJ220. Ao fim de 18 meses, o "Saturday Club" (ou Clube de Sábado), como ficaram conhecidos, finalizou o projeto de uma máquina revolucionária em vários aspectos, desde o design inovador, passando pela tecnologia de ponta e terminando com a proposta arrojada de uma nova super-máquina com a pretensão de ser o veículo de produção mais veloz do mundo!

O poder de persuasão, somado ao resultado de seu trabalho, fez com que os executivos da Jaguar resolvessem expô-lo no Birminghan Auto Show de 1988, como carro conceito. O sucesso produzido, tanto por parte dos jornalistas especializados como no público que compareceu ao salão, fez a Jaguar mudar seus planos e resolver fabricá-lo. Assim, em 1989 o anúncio oficial veio. Aqueles que desejassem adquirir uma das unidades produzidas, deveriam dar um "sinal" de 50.000 libras esterlinas (cerca de US$ 75.000,00, na época). Em apenas uma semana, a Jaguar recebeu mais de 250 encomendas! O preço total, viria a ser divulgado apenas um mês depois - aproximadamente US$ 600.000,00, o preço final no distribuidor, incluindo taxas e impostos!

Para fabricar o carro, a montadora inglesa reuniu um time com os melhores talentos da empresa, a tecnologia da pistas que a havia feito ganhar em LeMans em 1988 e os melhores materiais empregados nos Jaguares do passado. Na sua "estréia" em Birminghan, o XJ220 era um conceito que tinha como motor um V12 e tração nas quatro rodas. Ao longo de seu desenvolvimento para produção comercial, a equipe da TWR, a quem coube a mecânica do carro, resolveu pela adoção de um V6 biturbo para gerar a potência necessária a sua velocidade máxima - 220 milhas por hora! Aliás esta é a justificativa do 220 em seu nome!

O know-how acumulado nas categorias esportivas, fez Tom Walkinshaw desenvolver um chassis soberbo em alumínio, para acomodar a parte mecânica e a carroceria. Elementos, como o assoalho de fundo plano e tuneis na traseira para escoamento do fluxo de ar sob o carro, somado ao formato aerodinâmico da carroceria e o aerofólio traseiro, conferem ao carro um comportamento semelhante a uma asa de avião invertida (efeito asa), idêntico aos carros de F1 da década de 80, e que o faz literalmente "grudar" no solo conforme se aumenta a velocidade.

Para a estabilidade e dirigibilidade, do conjunto sob as altas velocidades as quais o XJ220 pode alcançar, foi adotado um conjunto de suspensão tendo como base os bólidos de competição. O sistema é independente nas quatro rodas, Double Wishbone de braços desiguais, moldado em alumínio aeroespacial, molas, amortecedores e barras estabilizadoras. A solução revelou-se excelente, dado o comportamento que o carro tem mesmo sob as mais altas exigências.

Mas nem tudo são glórias. Para utilização no dia-a-dia - e esta não é a prática mais adequada ao XJ220 - os freios são suficientes. Mas quando se conduz o veículo próximo às condições para as quais ele foi projetado, os discos mostram-se sub-dimensionados em tamanho. Além da ausência de um sistema ABS, a servo assistência, não é suficiente. Isto faz com que o "piloto" tenha que aplicar demasiada força no pedal. A mesma exigência se faz para o pedal de embreagem, revelando um pesado e duro mecanismo, necessário para aproveitar toda a força do motor.

Uma vez dentro do bólido, acomoda-se bem em assentos anatômicos e envolventes, que firmam bem os dois ocupantes. Percebe-se um interior bem adornado em instrumentos (inclusive nas portas) e amplamente revestido em couro Conoly, mas mesmo não sendo mal elaborado, não conta com o requinte e sofisticação característicos que um legítmo Jaguar deve apresentar. Não chega a ser um pecado, já que sua concepção é destinada mais às pistas. Aliás a condução desta super máquina, revela que ela é basicamente um carro saído de LeMans, adaptado para as ruas.

Bem, e a despeito dos 542 cavalos de potência e 65.7 kgfm de torque, que o fazem acelerar aos 100 km/h em 3.8 segundos ou atingir a máxima de 354 km/h e que na época do seu lançamento oficial em 1991, no Salão de Tokyo, faziam-no figurar como o carro de produção seriada mais rápido do mundo, o XJ220 foi quase um fracasso. Muitas foram as razões, mas as principais começaram justamente a partir do Salão de Tokyo. Apesar de muitos "compradores" já terem pago um significativo valor, a título de compromisso de compra, as primeiras unidades só seriam entregues em 1992.

Como resultado de todo o período de desenvolvimento (e investimento), além da divulgação posterior de seu preço, adquirir mesmo uma super máquina como estas se tornou quase proibitivo, já que em valores da época, significava mais de meio milhão de dólares. Várias ações judiciais foram promovidas pelos candidatos a uma das 275 unidades que viriam a ser fabricadas. O processo de produção foi difícil e alguns carros chegaram ao mercado em fins da década de 90! Extra-oficialmente, a última unidade pendente que foi entregue do XJ220, foi em 2001!

Não bastasse toda a desorganização da Jaguar na produção do carro, somada aos desentendimentos entre a empresa e os consumidores, em 1992 a MacLaren lança oficialmente o MacLaren F1, que vem apagar o brilho do XJ220 como carro mais rápido do mundo. A super máquina da MacLaren é capaz de beirar os 400 km/h! E como se já não fosse pouco, outros fabricantes, entre eles Ferrari e Lamborghini, lançam respectivamente o F50 e o Diablo, que se não eram superiores em desempenho, aproximavam-se muito e com todo o charme e tradição que estas marcas tem.

De qualquer forma e acima dos problemas que a Jaguar enfrentou, em uma análise puramente mecânica, não se questiona que de qualquer forma o XJ220 foi e é um digno representante deste disputado e nobre "hall das super-máquinas"!


Papéis de Parede 1024 x 768


Motor:



Diâmetro x Curso:
Cilindrada:
Potência:
Pot. Específica:
Torque:
Aceleração:
Vel. Máxima:

Câmbio:






Freios:
Rodas:

Pneus:


Dimensões:
Comprimento:
Largura:
Altura:
Entre-eixos:
Peso:
3.5 litros, 6 cilindros em "V", bloco e cabeçote em alumínio, traseiro-central, longitudinal, 4 válvulas por cilindro DOHC, biturbo e intercooler.
94,0 mm X 84,0 mm
3498 cm³
542 cv @ 7 000 rpm
154.9 cv / litro
65,7 kgfm @ 4 500 rpm
(0 - 100km/h) 3,8 s
354 km/h

Manual, 5 velocidades
1ª - 3.00:1
2ª - 1.95:1
3ª - 1.42:1
4ª - 1.09:1
5ª - 0.85:1

Discos ventilados nas quatro rodas.
Dianteiras: 9J X 17"
Traseiras: 14J X 18"
Dianteiros: Bridgestone 255/45 ZR 17
Traseiros: Bridgestone 345/35 ZR 18


4930 mm
2220 mm
1150 mm
2640 mm
1470 kg