Ferrari 550 e 575M Maranello
Quando se fala de um Ferrari, o simples fato do nome associado ao carro, logo de cara pode-se facilmente enquadrá-lo em duas categorias: ou é um mito ou uma super máquina. Porém em se tratando de alguns modelos, torna-se difícil adequá-los em apenas uma classificação. Um exemplo claro do que estamos, é o Ferrari 550 Maranello, cuja matéria criou polêmica dentro do Envenenado em relação a qual seção deveria ser publicada. Apenas em função dos seus números, resolveu-se que deveria receber o título de super máquina.

Mas justiça seja feita ao 550 Maranello e um dos motivos que justificaria sua inclusão como mito, já que em 1997 quando do seu lançamento mundial, caberia a ele a nobre missão de resgatar a verdadeira alma por trás de todo legítimo descendente da "Casa de Maranello", e daí a primeira justificativa por parte de seu nome. Após uma sucessão de modelos dotados de motores incomuns para um Ferrari, como os bem sucedidos 328, 348, 355 e GTO em todas as suas versões, que eram impulsionados por motores V8 ou até mesmo um surpreendente motor com os 12 cilindros que se espera de um Ferrari, mas com cilindros opostos (Boxer) - mais ao estilo de um Porsche - que equipava os modelos 512TR e 512M, os ferraristas clamavam por modelos que viessem com a tradicional força de um V12, já que só se podia encontrá-los nos modelos top, como F40 e F50, Testarossa. A resposta ao apelo veio com o 550 Maranello.

Entre os modelos da linha responsáveis por "volume" em vendas, agora se tinha um que fosse equipado com um legítimo V12 aspirado, com bancadas dispostas a 65º. A numeração 550 do nome, veio do fato do bloco ter um deslocamento de 5.50 litros, explicando assim seu nome completo. O grande motor era responsável por nada menos do que 485 cavalos de potência a 7000 rpm e 58 kgfm de torque a 5000 rpm, fazendo-o acelerar aos 100 km/h em apenas 4.4 segundos e atingir a máxima de 320 km/h.

Entretanto, um aspecto chamou atenção dos fãs da marca. O grande motor V12 vinha à frente do carro e não atrás, como é comum nos esportivos europeus. A explicação, porém remonta às raízes da Ferrari, onde os motores ainda eram posicionados à frente e remete ao 166MM ou ao 365 GTB/4 Daytona e ao 250 GT Califórnia - do qual herou o Scoop no capô e o formato dos faróis - todos equipados com motores V12 dianteiros. Para transmitir a potência às grandes rodas traseiras de 18 polegadas, calçadas em pneus 295/35 ZR 18, uma caixa de câmbio de 6 velocidades. Parar a máquina, só através do sistema ABS quadricanal com atuação em discos de 330 mm à frente e 310 mm atrás.

O objetivo parecia estar atingido, assim como a resposta dos fiéis ferraristas, que fizeram do modelo, um dos mais vendidos ao longo da história do fabricante. Mas não apenas o sucesso em vendas, refletiu o que viria a ser o 550. A Ferrari, com ele quebrou três recordes nas pistas. O primeiro foi a quebra do recorde da pista do Circuito de Columbus em Ohio, para carros esporte em produção - que antes pertencia ao Chevrolet Corvette - com a marca de 296.168 km/h. O segundo foi o recorde da pista de Maranello para a distância de 100 km, com a média de 304.1 km/h e o terceiro, para a mesma pista, mas para a distância de 100 milhas, com a média de 306.37 km/h.

O apelo esportivo do carro ganhou ainda mais força, quando em 2001 foi lançado o 550 Barchetta Pininfarina. O modelo foi uma homenagem da casa de Maranello ao 70º aniversário do Studio Pininfarina, que através do presidente Luca di Montezemolo, pediu que Sergio Pininfarina desenhasse um conversível baseado no 550 Maranello. Eis que no Paris Motor Show de 2001, mais um Ferrari com assinatura Pininfarina foi apresentado ao mundo, sob a batuta de Montezemolo e Pininfarina.

Parecia que nada mais restava ser feito, até que este ano (2002) no mais charmoso salão - o de Genebra - a fera ficou ainda mais "brava". O Ferrari 575M Maranello, nada mais é do que o 550 "anabolizado" e os mais astutos já devem imaginar o porque de seu nome. O seu motor V12 ganhou uma pouco mais ainda de "corpo" subindo dos 5.50 litros anteriores, para 5.75 litros. Acompanhando o aumento, agora são 30 cavalos a mais de potência e mais 2 kgfm no torque, resultando em 2 décimos a menos para alcançar os 100 km/h à partir da imobilidade e 325 km/h de velocidade máxima.

Além da numeração 575 que substitui a anterior, o "M" adicionado ao nome vem da abreviação "modificado", em relação ao 550. As modificações não se restringem apenas ao motor, mas a uma série de itens. O câmbio agora é eletro-hidráulico com acionamento por "borboletas" atrás do volante, de 6 velocidades e com modo Sport e Comfort. A suspensão recebeu integração com a transmissão de forma a variar a dureza de acordo com as mudanças de marcha, bem como de acordo com às exigências de pilotagem. Os freios foram redimensionados e a refrigeração foi melhorada. Os peso do conjunto roda/pneu/freios, caiu em 1.8 kg para o conjunto dianteiro e 1.2 kg no traseiro. Como resultado, a dirigibilidade do carro ficou ainda melhor.
Externamente algumas pequenas alterações, mais visíveis nos novos faróis e as menores e quase imperceptíveis ficam por conta de novo controle do fluxo de ar ao redor do carro e para dentro do cofre do motor. Internamente a diferença mais sensível fica no console central, onde antes aparecia a alavanca de câmbio, apenas uma alavanca para alternar entre os modos de condução. De resto o refinamento e aspecto esportivo de todo Ferrari.

Tanto preciosismo, desempenho e o prazer de pilotar um Ferrari acima dos 300 km/h, com toda a magia e mística que o carro contém, sua história e sua missão e ainda assim não foi possível descobrir se é um mito ou uma super máquina. Talvez seja ambos!

Papéis de parede - 1024X768




Modelo
Ferrari 575M Maranello
Motor:

Cilindrada:
Curso X Diâm.:
Tx. Compressão:
Potência:
Torque:
Vel. Máxima:
Aceleração:

Transmissão:







Freios:

Pneus:


Comprimento:
Largura:
Altura:
Entre-eixos:
Peso:
5.75 litros, dianteiro, longitudinal, 12 cilindros em "V" a 65º, 48 válvulas DOHC, injeção eletrônica multiponto.
5748 cm³
77,0 mm X 89,0 mm
11,0:1
515 cv @ 7 250 rpm
60,0 kgfm @ 5 250 rpm
325 km/h
(0 - 100 km/h) 4,2 s

Manual (Steering Gearshift), 6 velocidades
1ª - 3.15:1
2ª - 2.18:1
3ª - 1,57:1
4ª - 1.19:1
5ª - 0.94:1
6ª - 0.76:1
Diferencial - 3,91:1
ABS quadricanal, discos ventilados nas quatro rodas de 13 polegadas na frente e 12.2 atrás.
255/40 ZR 18 (Dianteiros)
295/35 ZR 18 (Traseiros)

4550 mm
1935 mm
1277 mm
2500 mm
1730 kg