Punta-Tacco
Não é incomum ouvir-se todo tipo de opiniões, quando o assunto são técnicas de pilotagem. Algumas são mitos, outras são apenas exercícios de imaginação e infelizmente pouca informação é completamente verdadeira e útil. A técnica conhecida popularmente como Punta-Tacco, na maior parte dos países de línguas latinas e Heel and Toe, nos países de língua inglesa, é um exemplo bom disto.

A origem da palavra é italiana e foi criada pelos pilotos de mesma origem. O próprio nome da manobra se traduzido literalmente, já provoca uma idéia equivocada de como efetivamente deve ser conduzida, já que punta é a referência para ponta do pé e tacco para salto, da mesma forma como na tradução invertida do termo em inglês. O movimento basicamente, consiste de se utilizar do pé direito para se frear e acelerar simultaneamente.

Seria de se imaginar que a ponta do pé pressionaria o pedal de freio, enquanto que o calcanhar, acionaria o acelerador, porém na verdade, o que se costuma fazer na maioria dos casos é se utilizar a metade esquerda do pé direito pressionando o freio e a lateral externa do mesmo pé, acionando o acelerador. Obviamente esta posição do pé em relação aos pedais irá variar de acordo com a disposição da pedaleira e de seu tamanho, bem como do tamanho e do tipo de calçado utilizado pelo motorista.

Apesar de tudo o que se diga a respeito do uso desta famosa técnica, o seu principal uso se faz nas pistas em condições de competição, embora possa ser de certa utilidade em situações do quotidiano de qualquer motorista. Assim como todas as manobras aqui abordadas, esta também depende de treino adequado e não recomendamos que seja praticada nas ruas ou estradas.

Uma primeira possível utilização no dia a dia, fica por conta de uma saída em ladeira, onde não se deseje ou por qualquer outra razão não se possa usar o freio de mão. Assim com a extremidade interna do pé direito se pressiona o pedal do freio e simultaneamente com a lateral externa, o acelerador. Desta forma o pé esquerdo fica vai gradualmente subindo da embreagem para poder por o carro em movimento.

Em situações de condução mais esportiva em traçados sinuosos, o Punta-Tacco é particularmente útil. Imagine que se vá realizar uma curva em velocidade limite. Quando o ponto de frenagem se aproxima, frea-se normalmente com o pé direito, ao mesmo tempo em que se joga a marcha para ponto morto. Neste exato momento, a lateral externa do pé desliza para o acelerador, fazendo com que a rotação do motor suba e engata-se uma marcha abaixo, quando então pode-se soltar a embreagem.

Nesta situação, o objetivo é evitar aquele famoso tranco provocado pelo motor ao se soltar o pedal da embreagem em reduções extremas. Assim o acelerador é acionado fazendo a rotação do motor ser compatível com a da transmissão. Na prática, caso o carro seja dotado de um conta-giros, algo em torno de 1500 rpm acima do regime da marcha em que se estava deve ser suficiente, porém este regime pode variar de acordo com a relação de cada carro e com a redução de velocidade no momento.

Do ponto de vista do piloto profissional, esta técnica é particularmente útil a fim de por o carro em condições de se ter tração suficiente na saída de curva, para ganhar assim tempo. Já em termos da condução de rua, pode ser particularmente útil em pisos com baixo nível de aderência e carros de tração traseira em certas tomadas de curvas. Imagine que ao se frear, a transferência do peso do carro é feita para as rodas dianteiras, tirando portanto aderência das traseiras, que em um carro de tração traseira não podem sofrer adicionalmente uma redução brusca de marcha sob pena de se ter um sobre-esterçamento. Por outro lado se o carro é dotado de tração dianteira, a mesma redução em piso demasiadamente escorregadio pode provocar sub-esterçamento.

Pense sempre nas possibilidades de sub e sobre-esterçamento, que tipo de tração que seu veículo dispõe e as condições do pavimento. Sobretudo, antes de enfrentar situações limites, treine os movimentos com o carro parado e desligado mesmo, até familiarizar-se com o procedimento. Se o seu carro não é equipado com um conta-giros, você terá que aprender a reconhecer o regime de rotação adequado do motor de "ouvido". E mais importante, tenha sempre em mente que assim como todas manobras de pilotagem, esta também tem o papel de auxiliá-lo em uma condução segura do seu veículo e não de torná-lo um piloto profissional!