Golf GTI VR6
Antecipando o que pouquíssimos afortunados terão oportunidade de comprovar, o Envenenado teve acesso no dia 19 de março à mais nova obra prima da Volkswagen - o Golf VR6! A ansiedade por realizar a cobertura deste evento, era grande e assim no dia e horário marcados para o teste em Riacho Grande, estávamos lá pontualmente. Mas a curiosidade por desvendar a prometida fera aumentou mais um pouco, devido a espera por uma das duas unidades à disposição da imprensa, já que outros veículos de imprensa já estavam rodando com os carros.

Eis que chega um dos carros. Rapidamente fomos tomando posição para o tão esperado teste. Logo que entramos no carro, um detalhe denunciava o que nos aguardava. Um enorme marcador de velocímetro com escala até 260 km/h, fez com que ficássemos bastante entusiasmados, pois os Golfs e os Audis com motor turbo de 180 cv já são carros bastante interessantes, agora imaginem um com 200 cv!! Fomos em dois consultores para a avaliação. O primeiro a ter o privilégio de tomar acento foi Alexandre Grecco, enquanto Amaral sentava-se no banco traseiro para filmar o teste. Veja as avaliações de cada consultor.

Grecco - Ajustei a posição do banco e não tive nenhum problema de encontrar a melhor posição para dirigi-lo, ou melhor, pilotá-lo (rs...). Antes de sair com o carro para o teste dei uma olhada rapidamente no painel e nos principais comandos. Também não tive nenhuma dificuldade para achá-los e ajustá-los, indicando a boa ergonomia e disposição da instrumentação e principais controles, afinal um carro como este deve permitir atenção apenas na pista por parte do motorista.

Dei a partida e coloquei o ar-condicionado para funcionar, pois nesse dia o calor era muito forte, assim como a vontade de guiar o carro. Segui com o VR6 por alguns metros até a entrada da estrada, em meio a um piso meio que esburacado e irregular, mas logo à frente estava a estrada velha de Santos (Caminho do Mar), local designado para a avaliação dos jornalistas e que pelo pouco movimento, é bastante convidativa para umas fortes aceleradas. Logo que entrei na estrada já fui trocando as três primeiras marchas até o limite de rotação. Senti um carro bastante rápido principalmente de primeira e segunda marchas.

O ronco do motor (se é que não deveria ser música neste carro) chega a arrepiar e à medida em que o giro sobe, o som grave e ao mesmo tempo suave, fica ainda mais bonito. O câmbio de 6 marchas herdado do S3, proporciona engates rápidos e bem precisos, como já é de se esperar de um autêntico Volkswagen. A relação de marchas é bem curta possibilitando saídas rápidas e ultrapassagens seguras.

O motor possui bom torque, o que dificilmente vai exigir reduções para ultrapassagens. Claro que o câmbio de relaçòes estreitas, contribui muito para isso. Bem voltando ao teste, após umas curvas mais fortes, percebi um comportamento um pouco indesejado. O volante exige reações rápidas e certa instabilidade, o que não transmite a segurança necessária para uma pilotagem mais agressiva. Você não sente o carro na mão, como deveria em um modelo desta categoria. Em manobras, o volante é bastante leve e age assim mesmo em altas velocidades parecendo um carro meio "sonolento", deixando certa impressão de insegurança.

Existem duas formas de se dirigir o VR6. A primeira delas é deixar o controle de estabilidade ligado (ESP) através de uma tecla no console central, o que faz o comportamento do carro ser mais "controlado". Já com o ESP desligado, você vai passar alguns sustos, pois a condução do Golf VR6 no limite, nota-se que tende a sair de frente. Estamos falando de uma condução bastante esportiva para que o carro possa sair do "trilho". Todavia, no dia a dia e enfrentando nossas ruas e estradas esburacadas, seria quase impossível andar no limite.

Aliás, o limite de nossas estradas é bem mais baixo do que o limite de velocidade do VR6. A fábrica declara 209 km/h reais de velocidade máxima, uma marca de respeito para os dias de hoje e uma velocidade um tanto alta para as nossas estradas. A aceleração de 0 a 100 km/h é feita em torno de 8.0s (7.7 segundos, de acordo com a VW), e nós do ENVENENADO pudemos comprovar isso no teste. Ele realmente acelera forte, é bem gostoso de dirigir ao mesmo tempo em que é dócil. Sua força é bem progressiva, sem que haja trancos quando se pisa até o fundo o acelerador.

Amaral - Após alguns quilômetros rodados pelo Grecco, algumas cenas de sua pilotagem e uma parada na beira da estrada para um sessão de fotos, foi a minha vez de tomar posição ao volante. Meio cauteloso e curioso pelos comentários a respeito da estabilidade e controle do VR6, sai acelerando. A princípio dosei cautelosamente o pedal e procurei sentir as suas respostas, mas gradativamente fui me acostumando com o carro e pude deixar o receio de lado.

A primeira coisa que me chamou a atenção, foi que nas duas primeiras esticadas que dei o motor cortou. Isto porque a sua rotação sobe bastante rápido. Logo percebi que as mudanças são (tem que ser) bem mais rápidas do que na maioria dos carros que conhecemos. Em poucos metros de pista, você já está em quarta marcha e o desejo pela esperada quinta e a constatação de até onde o VR6 poderia nos levar, morre com a aproximação de uma curva. Realmente a estrada não colabora e, ao invés disto uma redução, para contornar a curva com giro elevado.

Foi neste momento que lembrei das observações do Grecco quanto a indesejável instabilidade, mas mais uma vez o receio foi embora quando senti o VR6 fazendo a curva com a frente fincada no piso e apenas uma certa "hesitação" da carroceria em seguir na trajetória. Comentei com ele que talvez esta sensação de "descontrole" seja provocada pelo controle de estabilidade (ESP), que tenta tomar as rédeas do carro em uma situação limite. A verdade é que para conduzir este Golf próximo ao limite, há que se aprender a lidar com suas reações. A Volkswagen recalibrou molas e amortecedores e rebaixou a altura do carro em relação ao GTI de 180 cavalos, devido ao seu motor mais pesado, entretanto talvez fosse adequado uma barra de torção e uma suspensão ainda mais dura para aumentar a rigidez estrutural do veículo sob condições extremas, bem como sua estabilidade.

Um pouco mais de estrada percorrida e outras constatações. Pisei violentamente no freio e em poucos segundos o VR6 deixava os 190 km/h para a total imobilidade. Excelentes freios a disco nas quatro rodas, ventilados à frente e dotados de ABS e EBD, garantiram frenagens seguras e precisas, sobretudo com total controle do carro. Primeira marcha engatada, contagiros em cerca de 5000 rpm (1200 abaixo do regime de máxima potência e 2800 acima do torque máximo) e solto abruptamente o pedal da embreagem. Menos de 1 segundo de guinchar dos pneus dianteiros e lá vai o VR6 ganhando velocidade, graças ao controle de tração e o EDL (que distribui a tração entre as rodas) que entram em ação, garantindo que os pneus Continental 225/45 de 17 polegadas transfiram adequadamente os 27 kgfm de torque ao solo.

Mais testes para averiguar no que o motor de seis cilindros em "V" de ângulo reduzido (15º) e 24 válvulas, poderia ser melhor do que o 4 cilindros turbo e percebi que a sua grande vantagem se dá quando se roda em marchas elevadas mas com baixas velocidades. Em quinta marcha a 40 km/h, os 20 cavalos a mais do motor empurram de imediato o carro ao comando do acelerador, que responde progressiva e firmemente, comprovado pela forma como o ponteiro do velocímetro sobe na escala e com a "música" emitida pelo motor.

Passados os momentos de euforia por comprovar do que o VR6 é capaz, veio o momento de verificar a lista dos acessórios e itens e aspectos de conforto do modelo. O VR6 vem equipado com bancos de couro anatômicos, que acomodam perfeitamente o corpo, mesmo nas curvas mais acentuadas. O sistema de ar condicionado eletrônico é adequado e eficiente ao verão brasileiro, mesmo sob os mais dë 30ºC que faziam no dia do teste. A sonorização fica a cargo de um rádio/toca-fitas/CD player Moonsoon, de autoria da Delphi, mais 4 falantes / tweeters e um sub. O quesito segurança é garantido por 4 airbags.

Esteticamente, o já conhecido e consagrado visual, ganha apelo ainda mais esportivo graças ao novo pará-choques dianteiro com novas entradas de ar, um spoiler e saias laterais. As grandes rodas de 17 polegadas, a suspensão rebaixada e a ponteira de escape oval e cromada, concluem o belo estilo do VR6. Definitivamente a aparência do carro é por contraditório que pareça, ao mesmo tempo agressiva e discreta, sem exageros e com um bom gosto, que tem caracterizado os modelos da Volkswagen.

Considerações finais: Após termos avaliado o que o mais novo membro da família Golf tem a oferecer aos seus proprietários, uma pergunta surgiu imediatamente: O que justifica os quase R$ 40.000,00 a mais em relação ao GTI Turbo? Bem a resposta é difícil do ponto de vista objetivo e racional. Friamente falando é sem dúvida um carro que empolga - como o são também o GTI Turbo de 180 cavalos e o A3 1.8 Turbo - mas que os poucos detalhes mecânicos e mesmo estéticos, não justificam a diferença necessária para tê-lo.

Talvez o motivo para decidir-se por este GTI, venha quando se adote um enfoque emocional. A exclusividade de ter uma dentre as poucas 99 unidades que estarão a disposição do mercado nacional e, que receberão uma plaqueta numerada de 00 a 99 no console, identificando o veículo, ou ainda o apelo estético somado a uma motorização diferenciada, ou a impressão causada pelo som único produzido pelo motor. Na verdade, é difícil explicar a razão por desejá-lo, mas sem dúvida ela existe e se você é um privilegiado que deseja e pode ter esta máquina, decida-se logo, pois o GTI VR6 será vendido direta e exclusivamente ao consumidor por meio de uma central de atendimento (0800-8881013) ou no site da Volkswagen - www.volkswagen.com.br. Se ainda há dúvidas se vale a pena desembolsar os cerca de RS 100.000,00 necessários, é provável que você continue na dúvida, já que você não poderá vê-lo nas concessionárias e a maior parte dos carros já foram vendidos!

Papéis de Parede - 1024 x 768




Motor:

Cilindrada:
Diâm. X Curso:
Tx. Compressão:
Pot. Máxima:
Torque:
Aceleração:
Vel. Máxima:
Transmissão:









Suspensão:






Pneus:
Freios:



Comprimento:
Largura:
Altura:
Entre-eixos:
VR6, 2.8 litros com cabeçote e bloco em alumínio, 6 cilindros em "V" a 15º, 24 vávulas.
2792 cm³
81,0 mm X 90,3 mm
10,5:1
200 cv @ 6 200 rpm
27,0 kgfm @ 3 200 rpm
(0 - 100 km/h) 7,7 s
209 km/h
6 velocidades manual
1ª - 3,357:1
2ª - 2,087:1
3ª - 1,469:1
4ª - 1,150:1
5ª - 0,934:1
6ª - 0,763:1
Diferencial: 3,944:1
Ré: 3,123:1

Dianteira: independente, McPherson com molas helicoidais integradas, amortecedores telescópicos e barra estabilizadora.
Traseira: interdependente com braços longitudinais, molas helicoidais, amortecedores telescópicos e barra estabilizadora.

Continental 225/45 R 17
A disco nas 4 rodas, dianteiro ventilado. Duplo circuito em diagonal, distribuidor eletrônico de pressão (EBD) e sistema antitravamento (ABS).

4189 mm
1735 mm
1444 mm
2511 mm