Nova tecnologia em freios
O emprego da cerâmica na missão de frear veículos não chega a ser novidade. Imagine um avião de caça que toca o convés de um porta-aviões a 240 km/h e tem que parar em menos de cem metros, ainda que com a ajuda de um gancho, isto só se torna mais fácil graças aos freios de cerâmica.

O princípio continua o mesmo, o que muda é o material empregado nos discos e pastilhas. Como o coeficiente de atrito da cerâmica é muito maior que o do ferro fundido ou do aço, a distância percorrida na frenagem é reduzida drasticamente com o uso deste material.

Há um ganho médio de 10 metros para cada segundo de freada. Um ganho de quase 25% de eficiência em relação ao ferro fundido. A cerâmica consegue atuar de uma forma continua, suportando melhor o calor gerado durante um processo de frenagem. Numa situação de emergência ele é muito mais resistente ao fading, fenômeno que ocorre quando os freios são muito exigidos durante um tempo prolongado de frenagem.

Com o uso contínuo do pedal o freio, ele perde a eficiência, aumentando o tempo e a distância gastos para imobilizar o carro. Os discos cerâmicos suportam temperaturas de 1400 graus ou mais dependendo dos compósitos usados, e na chuva matem a eficiência, pois não absorvem água.

Há também outras vantagens importantes, eles são mais leves que os de ferro fundido, a diferença chega a mais de 20 kg, nocaso do carro que é equipado com conjunto a disco nas quatro rodas. Outra importante vantagem é a sua durabilidade, que em média é 5 vezes maior.

Não se iluda, pois o material empregado em sua fabrucação não é o mesmo que conhecemos em azulejos e pisos, mas sim a última tecnologia oriunda do know-how adquirido na construção de ônibus espaciais, cuja base é feita de oxigênio, nitrogênio, carbono, boro e silicone, além de metais como alumínio, zircônio e titânio. Na fabricação os metais são queimados a uma temperatura de 1700 graus e transformados em um pó finíssimo, que servirá de base a uma cerâmica muito mais resistente e estável do que a obtida com barro e argila.

Comparado ao freio com fibra de carbono ele leva duas vantagens. A primeira é o custo do material que é mais acessível que o do carbono. E a segunda e mais importante é que seu comportamento continua com a mesma eficiência mesmo quando os freios estão frios, ao contrário do carbono que atinge a máxima eficiência quando estão quentes.

Alguns carros já saem de fábrica com esse tipo de freio, eles são oferecidos como opcionais para alguns modelos top de linha da Porche (911 GT2) e Mercedes (CL 55 AMG Formula 1). Resta esperar se essa tecnologia vai equipar nossos carros e quanto tempo vai demorar até indústria automobilística para equipar todos os carros com este sistema de freios, pois isso não é um artigo de luxo e sim um item de segurança para nós e nossas famílias.


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