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Genebra sempre foi palco para revelações e estréias no mínimo surpreendentes e empolgantes. Não foi diferente na última edição do salão, no início de março de 2004, quando entre as muitas apaixonantes e quase inacessíveis super máquinas, a Ford apresentou versões de um carro bastante conhecido e ao alcance do grande público. Trata-se basicamente de duas versões esportivas de um legítimo representante do automóvel do dia-a-dia - o Fiesta ST e o RS.
Para os mais familiarizados com as nomenclaturas adotadas pelo fabricante na designação de veículos especiais, fica razoavelmente fácil imaginar o que está por trás do Fiesta RS. Se uma versão RS do nosso tão conhecido Fiesta já causa curiosidade, o que imaginar de seu mais novo irmão, o Fiesta ST?! Este surgiu como conseqüência da recente criação em 2003 do Ford TeamRS, na Europa, que conta com a participação de engenheiros vindos das áreas de competição e veículos de alta performance da Ford.
O resultado do trabalho deste grupo de engenheiros liderados por Jost Capito, é além de criar os dois modelos esportivos, uma versão de competição desenvolvida a partir do carro conceito de rally apresentado em 2001 e cuja repercussão, incentivou os projetistas e executivos a investirem no desenvolvimento de um Fiesta para disputar o JWRC - o campeonato "Júnior" do WRC. O modelo tem sua estréia no campeonato prevista para a etapa da Grécia em Junho de 2004. O carro vem equipado com um motor 1600 todo em alumínio, capaz de desenvolver 215 cavalos a 8750 rpm, câmbio de 6 velocidades, suspensão MacPherson, rebaixada em 60 mm em relação ao modelo de rua, e rodas 17"X7".
Mas o que realmente interessa à maior parte das pessoas, são os dois modelos de rua. O mais "calmo" entre os dois é o ST, cuja sigla vai representar os modelos de entrada da Ford e, reviver as versões esportivas, como a do Fiesta XR2, comercializada na década de 80 na Europa. A linha ST - de Sports Technologies - vai produzir veículos de caráter esportivo, mas com menos agressividade e maior controle do que os que ostentam a sigla RS, recentemente evidenciada pelo Focus RS.
Com lançamento previsto para o final de 2004, na Europa, o Fiesta ST sofreu algumas alterações estéticas em relação ao convencional, que serviram não apenas para torná-lo mais bonito e adequado a sua proposta esportiva, como também vieram como fruto da novas exigências de desempenho. A começar pelas grandes rodas de 17 polegadas e 11 raios, calçadas em pneus de perfil baixo, novos pára-choques envolventes, cujo desenho na frente ostenta maiores tomadas de ar, novo desenho para acomodação dos faróis auxiliares, uma grade frontal ligeiramente maior, seguindo o mesmo padrão da inferior. Atrás, a peça também foi redesenhada e agora acomoda a ponteira cromada de escape. Aerofólio traseiro, saias laterais e detalhes como maçanetas e retrovisores na cor do carro, completam o visual externo.
A correspondência entre o que o aspecto deste Fiesta sugere e a realidade, vem escondida no redimensionamento do chassis, da suspensão e freios e, de forma mais evidente quando se abre o capô para desvendar o motor 2.0 Duratec ST, uma pequena evolução do mesmo motor que equipa o Mondeo 2.0 e o Ecosport, que no caso tem 143 cavalos. Esta versão vai prover ao Fiesta ST 150 cavalos de potência, baixando o tempo necessário para atingir os 100 km/h em mais de 2 segundos em relação ao modelo equipado com o motor 1.6. Informações técnicas oficiais e mais precisas, como torque, regime de operação do motor, velocidade máxima, virão apenas com a proximidade do lançamento.
Por dentro, o Fiesta ST mantém a identidade geral da linha, mas com detalhes que o fazem tornar-se bem mais atraente e enquadrado em sua proposta esportiva. O painel recebeu apliques de alumínio escovado, material que também adorna puxadores das portas, pomo da alavanca de câmbio, pedaleira, volante e soleira da porta, estes dois últimos com a inscrição "ST". O logo que diferencia o modelo aparece também na tampa do porta-malas e nos bancos anatômicos de couro e tecido vermelho, única cor prevista para o carro.
Os protótipos do Fiesta ST surpreenderam os engenheiros em testes realizados no circuito Track Seven, no campo de provas da Ford na Bélgica. Os tempos registrados e o comportamento em curvas, esteve entre os melhores registrados no circuito. "Mesmo o Focus RS teve dificuldades de bater o Fiesta ST no 'Seven'," disse sorrindo Capito. "O carro é bem balanceado e vai exatamente para onde você o aponta, sem afobação e nenhum drama - é pura diversão", completa o responsável pelo projeto.
E se os poucos indícios já fazem supor do ST, um carro no mínimo muito atraente, o que dizer de uma versão ainda mais apimentada?! Pois é o mínimo que se pode dizer a respeito do conceito RS, baseado no compacto da Ford. Em apenas uma breve análise visual é possível imaginar o que o modelo nos reservará. Rodas ainda maiores de 18 polegadas e mais largas que no modelo ST, exigem arcos dos pára-lamas mais robustos e salientes que os do modelo convencional, com saídas de ar para os freios dianteiros. Robustos também são os pára-choques, que na frente dão lugar a tomadas de ar ainda mais generosas para abastecimento do cofre do motor. Ainda diferenciado-o em relação ao ST, uma dupla faixa branca acima das saias laterais e um aerofólio mais generoso.
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E realmente como a aparência sugere, o conceito RS poderá transmitir ao seus felizes condutores a verdadeira sensação de esportividade que se espera de uma carro desta categoria. Dizemos que poderá, uma vez que ainda menos informações oficiais são divulgadas em relação às suas especificações técnicas. Basicamente, do pouco que foi dito, ele também usará um motor 2.0 Duratec, que deve entregar cerca de 180 cavalos de potência. O objetivo é fazer o carro atingir os 100 km/h em cerca de 7 segundos. Turbo-alimentação ou supercharger, que câmbio utilizará, ou que outras tecnologias estarão presentes, não foram informados pela Ford.
Mas por dentro, em meio as alterações que recebeu em relação ao Fiesta ST, como os bancos inteiramente revestidos em couro, ou a maior profusão de adornos em alumínio escovado, um detalhe chama atenção e ao mesmo tempo denuncia o que os projetistas esperam do Fiesta RS. No painel de instrumentos a escala do velocímetro aponta o limite de 150 milhas por hora (240 km/h), fazendo-nos pensar que ultrapassar os 200 km/h não deve ser tarefa das mais difíceis para o carro, que aponta como o mais novo "envenenado de fábrica"!
Nem mesmo se o modelo será efetivamente produzido é algo 100% certo e isto dependerá da aprovação dos executivos da empresa. Caso o projeto seja levado em frente, sua produção poderá ocorrer dentro de dois anos. Quanto a possibilidade de vermos alguns destes rodando no Brasil, é certo pensar que no caso do RS, as chances sejam mínimas, tendo como parâmetro o Focus RS, que mesmo na Europa contou com uma produção reduzida. Já no caso do ST, pode ser mais fácil e, neste caso certamente o carro teria ótimas chances em um segmento tão cobiçado, mas que praticamente não oferece opções ao consumidor brasileiro. É esperar para ver e... torcer!
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