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Pontiac Firebird |
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No hall dos mitos da indústria automobilística, alguns nomes eternizam-se de forma impecável e quase lendária. Entre todos os nomes que tem o mérito de figurar neste seleto clube de máquinas excepcionalmente apaixonantes, um mito americano destaca-se por ter sido responsável por uma história de sucessos e paixões dignas dos melhores puro sangues italianos. O carro que abordaremos aqui neste artigo dividiu o cenário com alguns dos mais famosos e poderosos carros do seu tempo, como Chevrolet Camaro e Corvette, Ford Thenderbird e Mustang. Mesmo diante de nomes fortes como estes, o Pontiac Firebird fez história.
E foi para fazer frente a um mercado desejoso de máquinas equipadas com poderosos e grandes motores, que a Pontiac criou o carro cujo nome até hoje é referência de desempenho no mercado americano. Assim a Pontiac - uma divisão da GM - apenas 4 meses após a Ford lançar o Mustang iniciava os trabalhos para lançar o que seria um dos grandes concorrentes do esportivo da Ford. Na ocasião duas frentes de trabalho, esforçavam-se simultaneamente para por no mercado o rival do Mustang. O projeto chamado "F-car" deu origem a dois modelos, sendo o primeiro o Chevrolet Camaro. O trabalho de desenvolvimento da versão Pontiac para fazer frente ao carro da Ford seguiu uma linha bem distinta da Chevrolet. Os engenheiros da Pontiac não queriam um outro carro para quatro pessoas, como a opção da Chevrolet e a resposta foi um carro menor para duas pessoas e chapas de plástico a fim de reduzir o peso. Entretanto, na apresentação do projeto, a GM deciciu que a versão Pontiac não era adequada e que poderia abrir concorrência com o Corvette, "engavetando" então os desenhos do modelo Pontiac. Ficou decidido que a carroceria do Camaro deveria ser a base para o concorrente do Mustang e definido que a Pontiac deveria trabalhar em cima desta, com alterações na frente e traseira, para personalizar a sua versão. Assim, o segundo produto da holding GM foi a versão da Pontiac para mesmo carro do conceito "F" e que seria lançada seis meses depois do Camaro, que chamou-se Firebird (pássaro de fogo). Com ou sem intenção, a verdade é que a Pontiac ao batizar o seu carro com este nome, criou um dos maiores e mais fortes ícones de desempenho da indústria de Detroit, tanto que mais tarde a "Fênix" (ave mitológica que renasce das cinzas) tornou-se um símbolo impossível de se dissociar do nome e da imagem do carro. A proibição da GM à Pontiac em produzir a sua versão e impor o uso da base do Camaro para seu carro, teve no entanto, o mesmo efeito que um pai que proibe um filho rebelde de fazer algo. Desta forma, mesmo com seis meses de defasagem em relação ao Camaro, o Firebird veio ao mercado com uma gama quase avassaladora de opções. No meio do ano de 1967 as primeiras unidades do Firebird estavam nas lojas e logo de cara uma versão conversível do modelo já era possível. Não bastasse isto, a Pontiac tinha seus próprios motores e câmbios, que combinados, ofereciam 17 opções diferentes ao consumidor! A motorização disponível no Firebird ao longo dos anos foi uma das mais amplas que se viu e já a partir do seu lançamento foi assim. O motor mais "fraco" era um seis cilindros capaz de gerar 165 cavalos de potência, escalonados através de um câmbio de 3 marchas no assoalho. Logo na sequência, o mesmo seis cilindros com carburação especial e duplo escape, gerava 215 cavalos e tinha a opção do câmbio de 4 marchas. A linha V8, dispunha de três opções, através de um bloco de 326 polegadas cúbicas (5.3 litros) que desenvolvia 250 cavalos na versão mais "mansa" e 285 cavalos na versão equipada com um carburador quadrijet e escape duplo. A versão top da motorização V8, era um enorme 400 ci (6.5 litros) que rendia 335 cavalos. Por uma questão de não superar os Camaros, a potência declarada era de 325 cavalos e um limitador no acelerador era instalado para o Firebird não superar seu "primo", mas logo os admiradores descobriram e retiraram o limitador. Um detalhe que marcava a motorização V8 - particularmente a 400 - era o duplo Scoop (tomada de ar) no capô, que tinha como papel tanto forçar a entrada de ar sobre o filtro, e também que este ar fosse mais frio e portanto mais denso, possibilitando assim que maiores doses de gasolina e potência fossem geradas. Outras particularidades no sistema de escape, injeção e suspensão, faziam o modelo equipado com este motor acelerar dos 0 aos 100 km/h em pouco mais de 6 segundos e ultrapassar os 200 km/h. O sucesso do carro veio em números: mais de 82.000 unidades neste primeiro ano de fabricação, sendo mais de 15.000, conversíveis. Em meio ao clima eufórico da consagração atingida pelo Firebird, começaram a surgir diferentes versões que se distinguiam entre si tanto pelo acabamento como pelas opcões de motorização e detalhes mecânicos. Algumas das mais famosas versões surgiram nesta época: Sprint, Formula e talvez a mais conhecida, a Trans Am que ganhou fama durante a segunda geração de Firebirds. A segunda geração surgiu em meados de 1970 e representou para o modelo da Pontiac uma série de mudanças mecânicas e estéticas. O sucesso do Firebird a esta altura era tão grande que agora era o Camaro que seguia os seus passos e incorporava para si algumas das inovações de estilo do Firebird. Entre os aficcionados pelo Firebird há quase que um consenso de que estes foram os melhores anos e a mais bem sucedida geração do carro, seja pela estética arrojada e moderna, seja por algumas das mais fortes versões de motorização disponíveis na história do veículo. |
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Foi durante a segunda geração, que vieram a grande Fénix pintada sobre o capô do modelo Firebird Trans Am, as maiores rodas que eram fabricadas e que se podiam encontrar no mercado, a tradicional traseira com amplos conjuntos óticos e aerofólios incorporados, os longos capôs dianteiros com o Shaker Scoop invertido e que abrigavam os ainda maiores e mais potentes motores V8 de mais de 7 litros de deslocamento.
Nesta fase (em 1971) surgiu o motor V8 455 (7.4 litros!), que teve duas versões. A menos poderosa gerava 345 cavalos a 5000 rpm e 59.4 kgfm de torque a 3400 rpm e foi chamada de RAM III, devido ao seu scoop. Outra versão ainda mais potente e equipada com o scoop RAM IV, entregava 370 cavalos de potência a 5500 rpm e 61.5 kgfm de torque a 3900 rpm. As diferenças na potência e torque dos motores não se deviam propriamente ao shaker scoop (scoop "balançante") diferente, mas às alterações no comando de válvulas. Um detalhe importante em relação ao scoop, é que foi nesta geração que ele passou a ser posicionado com a entrada de ar voltada ao pará-brisas e fixado diretamente sobre a carburação e não mais para frente e diretamente no capô, como nos modelos mais antigos. Como agora ele estava fixado sobre o motor, o scoop se movimentava juntamente com o motor e daí o porque de seu nome (shaker). A razão de instalá-lo voltado para o pará-brisas foi para evitar a turbulência frontal e melhorar a aerodinâmica. Veio o ano de 1973 e com ele o embargo aos países árabes produtores de petróleo, provocando o aumento do preço de todos os seus derivados. Apesar do panorama desfavorável, foi neste mesmo ano que surgiram motores ainda mais fortes, baseados no bloco 455 e que fizeram o Firebird Trans Am ser o carro de produção mais rápido da América, registrando 5.4 segundos para acelerar aos 100 km/h e 13.54 segundos para completar o quarto de milha, marca batida somente 17 anos depois pelo Corvette Z01. Um ano depois (1974), algumas mudanças de ordem estéticas foram feitas, bem como mecanicamente para adequação a nova regulamentação então vigente nos EUA. Os carros de grandes dimensões e potentes motores estavam condenados tanto pela legislação anti-poluição e de segurança, que começava a restringir emissão de poluentes e o padrão de segurança dos veículos, como o preço proibitivo do petróleo. Em meio a este panorama o Firebird ficou menor, mais leve, com melhor aerodinâmica e os motores 455 foram aposentados, dando lugar a motores V8 menores e mais econômicos e, portanto, menos potentes. O seis cilindros, quase esquecido voltou a cena, com versões abaixo dos 200 cavalos. (continua...) |
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