Sangria dos Freios
Ao contrário do freio de mão, que tem acionamento mecânico, o freio de pé funciona por meio de um sistema hidráulico. Quando você pressiona o pedal, o fluido no reservatório do cilindro mestre é forçado através da tubulação até o pistão (ou pistões) alojado no interior do conjunto de frenagem. Os pistões, por sua vez, empurram as sapatas do freio (nos dispositivos a tambor) ou as pastilhas (nos modelos a disco) e estas desaceleram o carro.

ABERTURA
O fluido para freios é higroscópico - ou seja, ele absorve umidade da atmosfera - e isso ocasiona, depois de algum tempo, a redução do poder de frenagem do carro.

Quando você aciona o freio hidráulico, o atrito das lonas contra o tambor (ou das pastilhas contra o disco) aquece o fluido gradativamente. Tal fato não prejudica o rendimento do fluido novo, pois ele tem um ponto de ebulição bastante elevado. Mas, sob as mesmas condições, a umidade presente no fluido velho transforma-se em vapor, provocando a formação de bolhas de ar dentro do sistema. Como estas são compressíveis e o fluido não, o pedal do freio fica "esponjoso" quando pressionado. Nos casos mais graves, a produção de vapor alcança um nível tão elevado que os freios deixam de funcionar.

A elasticidade no movimento do pedal pode indicar, também, a existência de um vazamento no sistema, através do qual o ar penetra no fluido.

As duas situações exigem a substituição de todo o fluido de freio. Esta é a única maneira efetiva de eliminar as bolhas de ar e a umidade presentes no sistema. A operação de troca do fluido é conhecida como "sangria dos freios". Consiste em abrir os sangra-dores (na verdade, válvulas) e, enquanto o fluido velho escorre por eles, manter o nível do cilindro mestre com a adição de novo fluido.

Faça a sangria dos freios a cada dois anos, mesmo que o desempenho do sistema pareça normal.

EXAMES INICIAIS
Antes de começar o processo de sangria, verifique se há vazamentos no sistema: inspecione a tubulação dos freios e as vedações. Se houver algum ponto danificado, conserte-o para que o problema não se repita com o fluido novo.

A seguir, descubra qual o sistema de freio instalado no seu carro. Consulte o manual do proprietário ou informe-se numa concessionária. Há modelos de circuito simples (somente um tubo liga o cilindro mestre aos freios) e existem os de circuito duplo. Nestes, mais comuns, dois tubos saem do cilindro mestre, sendo que cada um fica responsável pelo acionamento da metade do sistema. Alguns circuitos duplos são montados de forma que uma seção sirva às rodas dianteiras e a outra às traseiras. Existem, ainda, sistemas divididos diagonalmente, ou seja, uma parte opera a roda traseira direita e a dianteira esquerda e vice-versa.

Caso seu carro utilize freios de circuito duplo, certifique-se da disposição dos tubos. Verifique também se o sistema tem freios a disco nas rodas dianteiras, com quatro pistões em cada pinça.

Esses dados preliminares são fundamentais para estabelecer a ordem correta da sangria dos freios. Num dispositivo de circuito simples você inicia a tarefa com o freio mais distante do cilindro mestre e termina no mais próximo.

Nos modelos de circuito duplo com dois pistões, a sangria é realizada em operações separadas, uma para cada circuito, sempre começando pela roda mais próxima do cilindro. No sistema de circuito duplo com quatro pistões, inicialmente trabalha-se no freio traseiro mais distante do cilindro mestre e depois faz-se a sangria dos pistões da frente, no mesmo lado. Repete-se essa seqüência para sangrar os freios da outra metade do circuito.

Já os carros com freios servoassistidos podem ter um niple de sangria (ou sangrador) na unidade de hidrovácuo. Comece a drenagem por aí, se for o caso de seu automóvel, e depois continue o trabalho na seqüência apropriada.

PREPARE O CARRO
Muitas vezes é possível alcançar os sangradores com as rodas instaladas. Mas, para agilizar e simplificar a tarefa, a medida inicial mais correta consiste em removê-las.

Coloque o veículo sobre cavaletes com o auxílio do macaco. Ou, então, trabalhe numa roda de cada vez. Em seguida, localize os sangradores - lembre-se de que a disposição dos mesmos depende de o sistema ser a disco ou a tambor - e limpe-os com uma escova de aço.

ABERTURA
Certifique-se de que seu jogo de ferramentas contém chaves de boca adequadas ao diâmetro dos sangradores. Caso seu carro possua freio a disco e a tambor combinados, eles podem ser de tamanhos diferentes; o restante do processo de sangria, porém, é o mesmo para todos os sistemas.

Remova a tampa protetora do sangrador e apenas ajuste a chave sobre ele. Providencie um tubo de plástico transparente (com aproximadamente 50 cm de comprimento) e encaixe-o na válvula. Coloque a outra extremidade da mangueira num vidro contendo cerca de 1 cm de fluido novo, o suficiente para submergi-la.

Abra então o sangrador com bastante cuidado. Caso a peça não se mova, evite forçá-la, pois é feita de metal pouco resistente. Coloque um pouco de óleo penetrante na rosca e espere alguns minutos. Gire a chave meia volta e deixe-a no lugar. Se o sangrador não estiver entupido, o fluido começa a escorrer pelo tubo em direção ao vidro.

BOMBEAMENTO
Para ajustar a saida do fluido, peça a alguém que bombeie o pedal do freio. Enquanto isso, fique atento a expulsão das bolhas de ar pelo tubo transparente. Verifique o nível de fluido no cilindro mestre: é importante que o reservatório esteja constantemente cheio. Sempre que o nível baixar, complete-o com fluido novo.

A maneira de bombear o freio depende do tipo de cilindro utilizado no automóvel. Nos modelos com corpo de alumínio e válvula central, pressione o pedal até o fundo, dê três apertos curtos próximo ao fim de seu percurso e solte-o. Repita essa operação até que não saia mais ar pelo sangrador.

O processo é diferente em cilindros do tipo tubo de compressão de ferro fundido. Empurre o pedal até o fundo e depois deixe-o subir lentamente. Aguarde três ou quatro segundos e repita a operação. Reproduza esses movimentos para garantir que todo o ar seja expelido.

Após retirar o ar e a umidade do sistema, o método é o mesmo para os dois modelos de cilindro. Peça para alguém bombear o pedal mais duas vezes e depois mantê-lo calçado enquanto você fecha o sangrador com a chave de boca.

Se o propósito da sangria dos freios for apenas substituir o fluido velho, basta bombear o pedal seis vezes para cada sangrador antes de abastecer novamente o reservatório.

Para finalizar, remova o tubo plástico e a chave de boca. Recoloque o guarda-pó sobre a válvula - é aconselhável comprar e adaptar esse tipo de protetor, caso seu carro não o possua originalmente. Em seguida, já é possível reinstalar o pneu e prosseguir com o trabalho no próximo sangrador do veículo.



CONFIRA O RESULTADO
Depois de sangrar todos os freios, experimente o pedal: aplique-lhe uma forte pressão e verifique se ele continua esponjoso. Em caso de resposta positiva, ainda há ar no sistema e os freios precisam de mais sangria.

Faça também o teste de estrada. Vá para um trecho deserto e dirija devagar por uma curta distância. Use o freio da maneira normal, O carro deve parar em linha reta, respondendo ao movimento do pedal. Em seguida, faça o mesmo, imprimindo uma velocidade maior ao automóvel.

Repita o teste algumas vezes e certifique-se da eficiência do conjunto de frenagem. Caso o pedal volte ao movimento esponjoso, resta algum fluido velho ou ar no sistema. Antes de sangrar os freios novamente, certifique-se da seqüência apropriada ao circuito de seu carro.

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