A Royale, amargou a triste marca de ser uma das piores vendas da montadora no Brasil.
Versailles - Mercado "negro"
Do ponto de vista de vários consumidores, o fato do carro vir da mesma plataforma do bem sucedido VW Santana, não significou que esse carro tivesse o mesmo sucesso em vendas.

O mercado de carros nacional é um tanto que ditador e possui regras definidas, mas é claro que a Ford tem uma parcela de culpa nisso. O carro possuía alguns defeitos, não de parte mecânica, mas sim na parte estética e no acabamento.

Um dos carros mais caros do mercado na época, mas com um painel de péssimo mau gosto e um volante herdado de outro carro da montadora - o do Escort. O design das lanternas traseiras também mereceram críticas, assim como a faixa preta na coluna traseira, de gosto duvidoso.

Qualidades o carro até tinha, como por exemplo a motorização Volkswagem de 1.8 e 2.0 litros, câmbio de ótimo funcionamento e acabamento de bancos e forração de portas superior ao Santana.

O Ford Versailles surgiu da união da Ford/Volkswagen, a então conhecida Autolatina, entretanto o que deveria ser uma associação com o objetivo de fortalecer e dominar o mercado, foi na verdade um fracasso para ambas, mas quem mais perdeu com isso foi a Ford.

A Ford usava desde motores, a monoblocos inteiros como é o caso do Versailles, assim como também a VW usou monoblocos da Ford como por exemplo (VW Pointer, VW Logus, VW Apolo). Todavia, nenhum dos veículos surgidos do processo de junção, alcançou sucesso e tiveram uma vida curta no mercado.

É lógico que a Ford não foi a única culpada pelo fracasso do Versailles, uma vez que tenham se adotado ações no sentido de alavancar vendas, o mercado não assimilou bem a idéia da criação de um carro com diferenças mínimas e, nascido a partir de um projeto de uma outra montadora.

Lançado no final de 1990, como modelo 1991, ele veio para ocupar a faixa de mercado deixado pelo Del Rey. Eram disponíveis as versões GL (básica) e Guia (luxo) e contando com três opções de motores 1.8 e 2.0 litros carburados movidos a álcool e a gasolina e uma 2.0 litros com injeção eletrônica de combustível multiponto (um bico de injeção para cada cilindro).

As principais virtudes ficavam por conta do conforto aliado a um alto nível de acabamento, bem coerente com público exigente da Ford. Com a opção de alguns itens de segurança e sofisticação como freios ABS e câmbio automático ele se tornou um dos carros mais caros do mercado brasileiro, mas sempre passou desapercebido pelas ruas, em parte devido ao seu design conservador e complementos estéticos exagerados.

Uma derivação da Quantum, assim como o Versailles veio do Santana, só que para a linha de peruas foi criada, dando origem a Royale, cujas vendas foram mais desatrosas ainda.

Os concorrentes foram o próprio carro do qual se originou, o Santana, o Monza e o Opala Diplomata. Depois vieram carros mais modernos como o Vectra, Omega e o Fiat Tempra, e seu espaço no mercado foi ficando cada vez menor. Até o final de sua produção o Ford Versailles passou por poucas modificações, uma delas foi à adoção de um novo painel de instrumentos, um novo volante de direção, mudanças na grade dianteira e na lanterna traseira, e a adoção de injeção eletrônica em todos os motores, mas já era tarde demais para uma recuperação no mercado, principalmente porque seriam necessárias muitas mudanças para posicioná-lo diante dos rivais mais modernos e livres do estigma criado pela associação. A junção Volkswagen/Ford durou pouco e, com a separação das duas empresas, veio também o final da produção do Versailles em 1996. Infelizmente, o carro não deixou saudades.

Ficha Técnica

Motor:


DiâmetroXcurso:
Cilindrada:
Tx. Compressão:
Potência:
Pot. Específica:
Torque:
Vel. Máxima:
Aceleração:

Câmbio:








Suspensão:






Freios:


Direção:

Rodas:
Pneus:

Comprimento:
Largura:
Altura:
Entre-eixos:
Peso:

Ford Versailles Ghia

2.0 litros, dianteiro, longitudinal, 4 cilindros em linha, duas vávulas por cilindro, injeção eletrônica, gasolina.
82,5 X 92,8 mm
1984 cm³
10,0 : 1
114 cv @ 5600 rpm
57 cv/l
17,6 mkgf a 3200 rpm
(0-100 km/h) 10,6s
187 km/h

Mecânico, 5 velocidades
1ª - 3,45:1
2ª - 1,94:1
3ª - 1,29:1
4ª - 0,97:1
5ª - 0,80:1
Ré - 3,17:1
Diferencial - 3,89:1

Dianteira: Rodas independentes MacPherson, molas helicoidais, amortecedores telescópicos pressurizados e barra estabilizadora.
Traseira: Rodas semi-independentes, interligadas por eixo de torção autoestabilizante, amortecedores telescópicos pressurizados.

Duplo circuito servo-assistido
Dianteiro: a disco ventilado
Traseiro: a tambor
Pinhão e cremalheira, servo-assistida

14 X 6J, em alumínio
195/60 SR 14

4564 mm
1686 mm
1406 mm
2548 mm
1160 kg