Salão do Automóvel de São Paulo
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Certas situações são difíceis de se entender e de se admitir, como a que encontramos no estande da tradicionalíssima e luxuosa Mercedes-Benz. Enquanto empresas como Jaguar isolaram completamente seu estande por meio de uma cerca, restringindo e selecionando a dedo quem podia e quem não podia entrar, a toda poderosa Mercedes não só deixou o estande totalmente aberto, como todos os seus modelos. O que causa nossa incompreensão, é o fato de que se apenas quem tem a quantia necessária para comprar um Jaguar pode vê-lo de perto, então por que trazê-lo ao salão?! Esta é a razão do Envenenado não falar dos veículos da Jaguar aqui.

Assim, todos que circularam livremente pelo estande da Mercedes, com direito a bancos e até "fumódromo", pode ver entre todos os modelos, dois que mais chamavam a atenção do grande público (e também a nossa), por sua natureza esportiva, o SL 500 e o SLK 320, apesar da "estrela oficial", ser o CLK remodelado. Em 1954 nascia o primeiro SL, e com ele uma história vitoriosa de glórias que fez deste modelo um dos mais consagrados e apaixonantes em sua categoria, sendo mesmo considerado um ícone da esportividade e classe entre os roadsters, originando recentemente a super maáquina SL 55 AMG. (Veja mais em Super Máquinas)

Apesar da redução em seu peso em relação ao modelo anterior, o novo SL 500 é 20% mais rígido, característica fundamental em um roadster, que não conta com o teto como elemento estrutural. Contando com toda a gama tecnológica da Mercedes, este modelo vem equipado com um poderoso motor V8 de 24 válvulas (3 por cilindro) que gera 306 cavalos de potência, fazendo-o acelerar aos 100 km/h em apenas 6.3 segundos e alcançar os 250 km/h (limitados), garantia de muita emoção.

Na mesma linha do SL 500, porém com um pacote menos requintado que o irmão maior, o SLK 320 é a opção "econômica" da Mercedes para quem quer um roadster da "marca da estrela", mas não dispõe dos recursos necessários. Não é preciso dizer que padrão e tecnologia também estão presentes no SLK320, apenas talvez não na mesma medida. O motor V6 de 18 válvulas, gera 218 cavalos de potência, o que o leva aos 100 km/h em 7 segundos e aos mesmos 250 km/h de máxima, com a diferença que em um pouco mais de tempo (bem pouco!).

No estande da Honda, a linha completa e já bem conhecida e aprovada pelo consumidor brasileiro, recebia além do carro conceito Bulldog, dois novos itens que farão parte do lineup da montadora no Brasil. O primeiro e sem dúvida a maior atração da marca, ficava por conta do Honda Fit, um monovolume que terá sua produção iniciada no Brasil em 2003 na unidade fabril de Sumaré (SP). Este compacto japonês, irá disputar o mercado que tem como representantes hoje no Brasil, o Mercedes Classe A e GM Meriva. No Japão, o seu sucesso é marcado pelo fato de ter se tornado o carro mais vendido atualmente.

Entre as várias soluções adotadas no modelo, como o sistema Ultra Seat, que permite diferentes configurações dos assentos, bem como as inovações tecnológicas, destaque para o novo motor de 1.4 litros de deslocamento, que faz uso da tecnologia i-DSI (Dual Sequential Ignition), que consiste em um sistema de ignição dupla sequencial, com duas velas por cilindro, semelhante ao Twin Spark utilizado no Alfa 155, e que neste motor gera 83 cavalos. Assim como o Civic, o Fit é um veículo de plataforma mundial de construção.

A outra novidade do fabricante japonês, vinha do tradicionalíssimo Accord, que inaugura sua sétima geração, mas que deverá ter sua comercialização iniciada apenas em janeiro de 2003. O modelo que deverá ser importado para o Brasil será o mexicano, que serve a este país e aos EUA e que é diferente do modelo japonês, que a Honda vende na Europa. Além da nova carroceria, com um design mais moderno e com linhas mais "agressivas", também conta com um novo motor de quatro cilindros e 2,4 litros, que ganhou 10 cavalos de potência em relação ao anterior, chegando agora aos 160. O câmbio é outra novidade no carro, que agora dispõe de uma caixa automática de 5 velocidades, substituindo a antiga de 4 marchas.

Internamente, o automóvel também surpreende com um amplo espaço, fruto do aumento do entre-eixos, novos assentos, controle independente de ar-condicionado para os passageiros do banco traseiro e vários porta-copos e porta-objetos espalhados pela cabine.

Para quem gosta do Off Road, mas que não dispensa luxo, sofisticação, conforto e tecnologia, a Land Rover mostrou a reformulação do carro que inaugurou a linha dos utilitários de luxo. Considerado o "Rolls Royce" do Off Road, o Range Rover sempre caracterizou-se por ser o modelo mais bem equipado e dotado de tecnologia entre os modelos da tradicional fabricante inglesa. Assim a "estrela" brilhava (literalmente) sob uma plataforma giratória, ostentando sua nova "cara". Pequenos detalhes na carroceria e novos conjuntos óticos dianteiro e traseiro, conferiram um aspecto mais moderno e extremamente atraente à nova Range Rover.

Desenvolvido em robusto monobloco, com três subchassis em aço, o novo modelo, classificado como utilitário esportivo de luxo, dispõe de tração 4x4 permanente e estará disponível no mercado brasileiro somente a partir de 2003, nas versões gasolina e diesel, com preço superior a R$ 300 mil. Mais longo e mais alto que a versão anterior, o carro combina linhas modernas, como as entradas laterais de ar e carroceria em alumínio. Os novos motores 4.4 V8 de 32 V à gasolina, com 286 cv, e 3.0 turbo diesel common-rail de 6 cilindros, com potência de 177 cv, garantem melhor performance, menores emissões, maior economia de combustível e mais refinamento.

Uma das principais novidades do modelo é o diferencial Torsen, que permite alternar a velocidade entre os eixos do veículo, de acordo com o nível de aderência à pista. O sistema dispõe de diferencial central e tem o recurso de bloquear automaticamente uma das rodas, aumentando o nível de rotação das demais. Essa função pode ser aplicada, por exemplo, em caso de atolamento. Oferece também um avançado sistema de transmissão automática Steptronic de cinco velocidades. A caixa de transferência modelo NV (New Venturi Gear) tem a capacidade de alternar a relação de baixa para alta com o veículo em movimento. A suspensão dianteira McPherson e traseira modelo “Double Wishbone”, pneumática, garante o equilíbrio do veículo em qualquer superfície e proporciona melhor desempenho e conforto. O sistema de suspensão é ajustável e permite, por exemplo, que o carro seja suavemente rebaixado para facilitar entradas e saídas, fazendo com que o veículo selecione automaticamente a altura correta.

Ainda em termos de Off Road, mais duas apresentações marcaram o salão, especificamente por representarem ambas, casos de fabricantes que não tem tradição neste campo - o Volvo XC90 e o Porsche Cayenne. Lançado no último Salão de Detroit, EUA, em janeiro, o primeiro utilitário esporte (SUV) da Volvo lembra muito os carros da marca nas formas do capô, grade, lanternas traseiras e linha da cintura. O XC 90 oferece acomodação para sete pessoas.

Um fato curioso na categoria, fica por conta da escolha dos motores que equiparão o modelo. O cinco cilindros tem 2,5 litros, turbo e 210 cv. Já o seis em linha é de 2,9 litros, biturbo e 272 cv. A máxima está limitada a 210 km/h em ambos, por segurança. No exterior há um turbodiesel de cinco cilindros que não será importado para o Brasil.

O segundo caso controvertido no meio Off Road e mais que isso, entre os aficcionados por Porsche, veio do Cayenne, sejo pelo design que está longe de ser uma unanimidade, seja pelo fato da empresa resolver produzir um Sport Utility. Mas polêmicas à parte, o fato é que se trata de uma mecânica digna da marca. O motor V8 de 4,5 litros tem 340 cv na versão aspirada (Cayenne S) e 450 cv na versão com dois turbos (Cayenne Turbo), sendo o SUV mais potente em produção.

Falamos de muitas estrelas e das expectativas que geraram, mas é consenso entre todos, que a maior delas tratava-se de um que tem em seu nome a marca símbolo de esportividade duas vezes - Ferrari Enzo Ferrari. Muito mistério se fez até quase a abertura do salão, a respeito da sua presença ou não no evento. No momento final, eis que escondida por detrás de um pano, surge o novo candidato a mito da casa de Maranello.

Para o grande público ver o Enzo de perto, era um verdadeiro exercício de paciência e persistência, já que o estande da Ferrari - assim como o da Porsche e Jaguar - era cercado, mas afinal tratava-se do maior ícone do mundo automobilístico. Conseguir chegar perto do ponto de isolamento onde o Enzo se localizava exigia até certa força física para vencer a multidão que se aglomerava naquele ponto. Mesmo dentro do estande parecia que o público iria a qualquer instante avançar sobre nós, para que saíssemos de sua frente. Uma atitude, que só quem vê um carro destes, pode entender!

Estávamos lá, diante do carro que promete ser o melhor Ferrari de todos os tempos. O supercarro tem carroceria construída em alumínio e fibra de carbono, aerodinâmica sofisticada e um motor V12 de 6,0 litros, 660 cv de potência e torque de 67 kgfm. A Ferrari declara 350 km/h de máxima e 0 a 100 km/h em 3,5 segundos! Quer saber mais? Veja mais detalhes em SUPERMÁQUINAS!

E finalizando este tour virtual, para relatar um pouco do que foi este maravilhoso salão o estande da Toyota, que além do recém lançado novo Corolla - cuja aceitação tem sido muito boa - apresentou ao público a Fielder. Trata-se da versão Station Wagon do novo Corolla, exibindo as mesma linhas modernas e robustas do sedan.

A aparição da Fielder no espaço da Toyota, não significa necessariamente seu lançamento e sua exposição tinha como objetivo avaliar a aceitação do mercado, embora existam boas chances de que ela venha a ser comercializada, tanto pelo sucesso que o sedan vem alcançando desde o seu lançamento, como pela carência de veículos nesta categoria. Idêntica ao Corolla na frente e no acabamento, a Fielder utiliza a mesma mecânica e o motor de 1,8 litros e 136 cv, com comando variável VVTi.

E assim como outros destaques em outras montadoras, a Toyota trazia também em uma plataforma giratória isolada, o Lexus Car of the Future ou Minority Report 2054. Com visual extremamente futurista, este Lexus foi especialmente desenvolvido pelos designers da marca, segundo especificações de Steven Spielberg para o filme Minority Report, estrelado por Tom Cruise.

Na verdade, o carro só existe por fora, já que é oco por dentro e foi concebido apenas para aparicões no filme. O modelo trazido para São Paulo, não tinha portas, freios e nem mesmo motor. Seja como for, e mesmo sendo muito diferente do que estamos acostumados a ver, é um bom e por que não dizer, belo exercício de imaginação a respeito do que vai ser o carro do futuro!

Esperamos que esta pequena cobertura do que foi o 22º Salão Internacional do Automóvel de São Paulo, possa ter passado um pouco da idéia do que consistiu este evento fantástico para todos aqueles, que assim como nós, são apaixonados por carros!

Um abraço e até o próximo!


Alexandre Grecco