Mercedes-Benz SLK
Desde o outono de 1996 (na Europa), a sigla SLK tem associado-se a um amplo significado para uma legião de cerca de 300.000 felizes proprietários. O prazer de conduzir um veículo esportivo sob o charme e a liberdade do céu aberto, com o conforto e o luxo presentes nos melhores e mais consagrados coupês e, ainda disfrutando da melhor qualidade tecnógica disponível nos tradicionais carros europeus, pode ser sintetizada pelo nome Mercedes-Benz SLK.

O roadster da tradicional montadora alemã já mereceria distinção pelo simples fato de ter nascido sob o lendário estigma da "estrela de três pontas". Mas sobretudo, o modelo vem ao longo dos anos comprovando através dos números as qualidades que o vêm colocando em destaque em sua categoria. Contra os fatos não há argumentos. Assim, além dos aproximados 300.000 carros fabricados, o SLK conquistou cerca de 40 prêmios e distinções. Só em 1997, o primeiro ano inteiro de produção, cerca de 55.000 unidades foram vendidas, superando em 50% as expectativas iniciais da Mercedes. É certo que os números de vendas, são inferiores a um Mazda MX5 ou um Honda S2000, mas o SLK constitui uma outra classe de carro, no mínimo mais caro!

Desde o seu lançamento, alguns aspectos notabilizaram-se como características próprias do modelo e que até hoje permanecem inalteradas. Os sete anos de vida, de certa forma já pesam sobre a sua silhueta, mas de nenhuma forma significam falta de fôlego ou disposição para continuar conquistando admiradores por onde passa. Em 1996, suas linhas representavam um padrão bastante avançado e elegante no segmento dos roadsters compactos. O comprimento de pouco mais de 4 metros, é menor do que o Audi TT e o BMW Z3 e pouco maior que o Mazda Miata (MX5).

A suavidade dos contornos da carroceria era marcada por elementos típicos de outros Mercedes, como os conjuntos óticos dianteiro e traseiro, que apesar da identidade visual, neste esportivo conversível, ganharam linhas próprias e mais agressivas que os cupês e sedans da marca. O longo capô e a linha de cintura mais elevada em relação a outros esportivos, com suave elevação em direção a traseira, conferiam um aspecto robusto ao carro. As boas proporções entre comprimento, largura e altura, produzem uma sensação de dinamismo e equilíbrio.

Por dentro, nada menos poderia se esperar do que o excelente e luxuoso padrão Mercedes. Muito couro revestindo de bancos, a console, painel e portas. Dois tipos de acabamentos poderiam ser escolhidos para completar o interior: madeira laqueada ou alumínio escovado. O primeiro para aqueles que desejam um pouco mais de luxo e o alumínio para dar uma aparência mais esportiva. Os bancos combinam esportividade e conforto, na medida em que são anatômicos e devidamente acolchoados. Da mesma forma que os demais revestimentos em couro, há seis possibilidades de cores para combinar.

A instrumentação é bem disposta e visível através do arco superior do volante de três raios, com fundo branco e indicadores alaranjados. Tudo simples do ponto de vista funcional, mas nada despojado ou incompleto, pelo contrário. Um exemplo, claro disto é o sistema Vario-Roof. Trata-se nada mais do que um o acionamento elétrico da capota rígida em aço, que permite que em poucos segundos o teto seja recolhido para o compartimento do porta-malas ou transforme o veículo em um coupê.

Tudo isto, somado a um bom conjunto mecânico e duas opções de motorização, foi por um tempo suficiente para resultar em um bom e competitivo esportivo. Mas a concorrência era grande e acirrada, deixando o SLK, tanto o 200 (2.0 litros) quanto o 230 Kompressor (2.3 litros e compressor mecânico) para trás. O BMW Z3, dispunha de motorizações de 6 cilindros com 231 cavalos, ou o Alfa Spider equipado com um V6 de 218 cavalos. Até mesmo os mais novos Audi TT e Honda S2000, eram mais fortes, contando com 225 e 240 cavalos respectivamente.

Por esta razão, o ano de 2000 trouxe algumas alterações e novidades para o modelo. Algumas pequenas modificações de ordem estética, a fim de revitalizar o visual do carro e adequá-lo a uma natureza mais esportiva. Novos pará-choques dianteiro e traseiro, mais robustos e na mesma cor da carroceria, assim como frisos e detalhes na lateral, como as maçanetas de abertura das portas, que passaram a seguir o padrão de cores. Os retrovisores laterais passaram a incorporar as luzes indicativas de direção (piscas). Na traseira as lanternas receberam novas lâmpadas e a ponteira do escape de aço inoxidável.

Mas se as novidades no visual não foram tão grandes, não se pode dizer o mesmo da mecânica. Os motores de 4 cilindros receberam doses extras de potência. No caso do 2.0 litros (SLK 200), a adoção do compressor mecânico no motor, fez com que ele passasse a produzir 163 cavalos de potência e 23.4 kgfm de torque já disponíveis a 2500 rpm, extendendo-se até os 4800 rpm, suficientes para acelerá-lo aos 100 km/h em 8,2 segundos e atingir os 223 km/h. No caso do 2.3 litros, um remapeamento fez a potência subir alcançar os 197 cavalos e 28.6 kgfm de torque, também inteiramente disponíveis a 2500 rpm. Como resultado o SLK 230 Kompressor ficou sendo capaz de acelerar aos 100 km/h em 7,2 segundos e chegar aos 240 km/h.

Mas a grande novidade não restringiu-se aos novos motores 4 cilindros e sim a um novo V6. Usado em outros modelos da marca, como o CLK, o novo propulsor deu novo fôlego ao modelo, bem como a natureza verdadeiramente esportiva que se esperava frente aos concorrentes. Dispondo da tecnologia de três válvulas por cilindro, sistema de dupla ignição, e componentes em liga-leve, a unidade é capaz de entregar 218 cavalos e 31.6 kgfm de torque a partir do 3000 rpm. Os novos valores para a potência e o torque, foram suficientes para fazê-lo atingir os 100 km/h em 6,9 segundos e os 245 km/h. Já era possível praticamente empatar com o desempenho do Alfa Spider e o Audi TT Quattro e, aproximar-se do BMW Z3.

O escalonamento das velocidades passou a ser feito por um novo câmbio automático de seis marchas, para toda a linha. O sistema é “inteligente”, sendo capaz de identificar o “estilo” de condução do motorista, realizando as mudanças de acordo com a solicitação de aceleração e velocidade. Desta forma, pisar ao fundo o acelerador significa usar cada marcha até a faixa ideal de torque e potência, além de diminuir o tempo de mudanças, conseguindo ótimo desempenho. Um câmbio automático de 5 velocidades continuou a ser opcional, para toda a linha.

Dotado de Double Wishbone à frente e Multilink atrás, a fim de propiciar condições ideais de dirigibilidade, o SLK teve a suspensão recalibrada com novos amortecedores à gás, reduzindo o curso em 5 mm e com um suave rebaixamento da carroceria. A suspensão traseira ganhou uma barra estabilizadora. O ESP (Eletronic Stability Program) passou a ser de linha para toda a série. Novas rodas, sendo 7J X 15”, calçadas em pneus 205/60 no SLK 200. Para as versões 230 Kompressor e 320 (V6), rodas 7J X16” à frente e 8J X 16” atrás, revestidas por pneus 205/55 e 225/50, respectivamente.

Tudo isto já seria ideal para se conseguir um roadster competitivo e atraente, mas sempre existem aqueles que não se satisfazem com pouco. Para estes, a AMG que desde o início da década de 70 vem desenvolvendo séries especiais para a Mercedes, criou uma versão especial do roadster em 2001 – o SLK 32 AMG. O modelo usa basicamente o mesmo V6 do SLK 320, porém foi adotado um compressor mecânico e um intercooler ar/água. O sistema de escape também foi inteiramente redesenhado, terminando em uma dupla saída oval cromada. A modificação no sistema teve como objetivo não apenas produzir melhor fluxo dos gases de escape como também de produzir um ronco peculiar.

Estas poucas alterações, resultaram em um esportivo com natureza razoavelmente indócil, principalmente se comparado aos modelos convencionais. São exatos 354 cavalos de potência a 6100 rpm e 45.9 kgfm de torque a 4400 rpm. Basicamente em função do compressor, o torque disponível surge em regimes de rotação razoavelmente baixos. Assim, a apenas 2300 rpm, 40,9 kgfm já estão disponíveis. A força do propulsor chega às rodas traseiras através de um câmbio automático de 5 velocidades com relações variáveis, através de um controle manual. Com todo este fôlego, o SLK 32 AMG é capaz de cumprir os 100 km/h em apenas 5,2 segundos e chegar aos 250 km/h, limitados eletronicamente.

Para adequar a dirigibilidade e o controle necessários ao “novo” carro, um redimensionamento da suspensão foi feito. O começo veio de uma nova configuração e calibragem para o conjunto mola/amortecedor. A bitola do eixo traseiro foi ampliada e uma nova barra estabilizadora incorporada à suspensão dianteira. Os freios são ventilados em todas as rodas, sistema hidráulico de duplo circuito, com assistência ABS. O ESP (Eletronic Stability Program) no AMG ainda ganhou o auxílio do ASR (Anti Slip Regulation), a fim de controlar a tração sob níveis mais intensos de aceleração.

Completam o pacote das principais inovações do modelo rodas maiores de 17 polegadas e pneus 225/45 ZR na frente e 245/40 ZR atrás, que além de conferir uma aspecto mais agressivo, calçam mais adequadamente o veículo. Novos pará-choques dianteiros e traseiros, bem como saias laterais revitalizam o aspecto externo. Dos apêndices externos, o que talvez seja mais discreto, mas que tem verdadeiro papel funcional, é o pequeno spoiler traseiro colocado sobre a tampa do porta-malas, que consegue reduzir em até 50% a tendência de sustentação negativa sob altas velocidades.

Afortunadamente, no Brasil alguns mais abastados puderam disfrutar das versões 230 Kompressor e 320 e comprovar que definitivamente o pequeno esportivo da Mercedes-Benz, seja nas suas versões mais “simples” ou nas mais sofisticadas e fortes, tem predicados suficientes para figurar como um legítimo representante desta classe tão sedutora de carros.


Papéis de Parede 1024 x 768






Motor:



Cilindrada:
Potência:
Pot. Específica:
Torque:
Aceleração:
Vel. Máxima:

Câmbio:







Freios:
Pneus:


Dimensões:
Comprimento:
Largura:
Altura:
Entre-eixos:
Peso:
3.2 litros, 6 cilindros em "V", cabeçote e bloco em alumínio, dianteiro-central, longitudinal, 3 válvulas por cilindro DOHC, compressor e intercooler ar/água.
3199 cm³
354 cv @ 6 100 rpm
110.62 cv / litro
45,9 kgfm @ 4 400 rpm
(0 - 100km/h) 5,2 s
250 km/h (limitada eletronicamente)

Automático, 5 velocidades
1ª - 3.59:1
2ª - 2.19:1
3ª - 1.41:1
4ª - 1.00:1
5ª - 0.83:1
Diferencial - 3.07:1

Discos ventilados nas quatro rodas. ABS.
Dianteiros: 225/45 ZR 17
Traseiros: 245/40 ZR 17


4010 mm
1712 mm
1269 mm
2400 mm
1495 kg