Qvale Mangusta
|
|
||||
|
O que pensar de um carro de produção italiana, que recebe mecânica americana, seu criador seja argentino e cujo nome do fabricante seja norueguês?! Certamente uma mistura que causa confusão e a pergunta: mas que carro é este?! Qvale Mangusta é a resposta.
Tudo começou com Bruce Qvale (fala-se CA-VA-LI) um garoto que na época tinha apenas 10 anos de idade e que foi levado para uma volta no De Tomaso Mangusta, pelo próprio Alejandro De Tomaso, um ex-piloto argentino que tendo fixado residência na Itália, foi criador do lendário De Tomaso Pantera e dos pirmeiros Mangustas, entre os anos de 1966 e 72. O pai de Bruce - um imigrante norueguês - Kjell (fala-se CHÉU) Qvale tornou-se um bem sucedido empresário do setor automotivo nos EUA, importando veículos como Triumph, Austin-Healey, MG, Jaguar, Lotus, Rolls-Royce e Bentley, Maseratis e De Tomasos. No salão de Genebra de 1996, De Tomaso apresentou um protótipo que então chamava-se Bigua e que deveria levar adiante a história dos primeiros Mangustas. Em 1998, Kjell sob influência de Bruce resolveu investir no desenvolvimento do carro e pouco tempo após o acordo, a empresa de Kjell toma conta do projeto e a antigo fábrica da De Tomaso em Modena - Itália - é remodelada para produzir o carro e passa-se a chamar-se Qvale Modena. O carro e seu estilo e designs únicos surgiram como fruto da mente criadora de Marcelo Gandini, que entre outros produziu o Lamborghini Miura, Countach e Diablo. Marcas características de seu desenho aparecem, por exemplo, no arco das rodas traseiras. O nome foi herdado dos primeiros Mangustas e como tal pretendia ser a reedição do mito italiano. A produção em Modena - região de tradicionais nomes da indústria italiana de carros - garantiria uma linhagem dentro dos mais puros padrões de esportivos italianos, não fosse por um "detalhe" - o motor! Para empurrar os mais de 1650 kg do Roadster/Targa, foi escolhida a mecânica Ford do Mustang SVT Cobra. Não seria de todo comprometedor adotar um motor americano tradicional como o do Mustang, se o resultado fosse o mesmo obtido pela tradicional Bugatti na adoção de um motor alemão (VW) no EB 16/4 Veyron. Não que o resultado seja decepcionante, mas é apenas semelhante ao do carro da Ford, o que para um esportivo "italiano" é menos do que se espera. O chassis em alumínio com partes coladas e construído a mão, acomoda o V8 de 32 válvulas e 4.6 litros em posição dianteira e a transmissão Tremec T45 de 5 velocidades e diferencial traseiro BTR (3.23:1). Apesar do conjunto do Qvale Mangusta ser mais leve que o SVT Cobra, quem leva a vantagem tanto em aceleração, como em final, é o carro americano. Os 320 cavalos de potência a 6000 rpm e os 43.4 kgfm de torque, fazem o Mangusta acelerar aos 100 km/h em apenas 6.3 segundos, completar os 400 metros em 14.6 segundos e atingir os 255 km/h de máxima, números que muitos esportivos europeus superam com facilidade. Se o desempenho não chega a empolgar, a dirigibilidade conseguida mesmo com uma aparentemente bem dimensionada suspensão de duplos braços (inferior e superior) em "A", com calibragem esportiva e amparada por grandes pneus Michelin Pilot SX P225/40 ZR 18, também não é digna de louvor. A aceleração lateral (0.85 g) é também a mesma que a conseguida com o Mustang Cobra! A ausência de um controle de tração ou até mesmo de um sistema ABS na assistência de frenagem, são outros itens importantes que colaborariam de modo significativo no comportamento do Mangusta. |
|||||
|
O interior é refinado, sem exageros, recebendo aplicação de couro em praticamente todos os revestimentos. Os assentos anatômicos acomodam bem o corpo dos dois ocupantes, desde que não sejam demasiadamente altos. Ao se observar mais atentamente o painel, constata-se que toda a instrumentação necessária está presente, mas ai mais um "pecado" é cometido. Nota-se que este item também foi emprestado do Mustang.
Observem que não estamos afirmando que com estes pequenos "defeitos", o Qvale Mangusta não seja um bom carro, mas que pelo preço necessário para adquiri-lo - cerca de US$ 80.000,00 - no mercado americano pode-se quase comprar DOIS Porsche Boxster (US$ 41.000,00), que tem números de desempenho até melhores, ou DOIS Honda S2000 (US$ 33.000,00), cujo desempenho é bastante superior e ainda sobrar para um New Beetle, ou ainda optar por disfrutar do prazer, requinte e superior esportividade dadas por um Jaguar XKR ou Lotus Esprit V8, ambos na mesma faixa de preço, sendo que este último com desempenho digno de um Ferrari! Sem dúvida não há como afirmar que o Mangusta de origem nórdica, não seja um bom representante da categoria de esportivos italianos, com seu charme e apelo típicos desta classe de carros, com suas vantagens, prazeres e qualidades, mas cuja principal questão é: você quer (e pode) pagar US$ 80.000,00 por um Mustang SVT Cobra (US$ 28.000,00) em traje italiano?!
Papéis de parede 1024 X 768 | |||||
| |||||