Lobini H1
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Quem esteve no 22º Salão do Automóvel (Outubro de 2002) em São Paulo, constatou a curiosidade e a admiração causados por um pequeno esportivo exposto em uma área não tão nobre quanto das grandes montadoras, mas que por outro lado trouxe proporcionalmente mais gente do que muito fabricante grande. Os mais velhos, nacionalistas e saudosistas, se alegraram com o que viram, já que desde o Puma e o Miura, não tínhamos um esportivo autenticamente brasileiro. Assim o Lobini H1, veio para resgatar este passado glorioso.
Valorizando os profissionais e a matéria-prima do mercado brasileiro, a Lobini Empreendimentos e a Chamonix apresentam, durante o Salão do Automóvel, o Lobini H1, um automóvel idealizado pelo empresário e advogado José Orlando Arrochela Lobo e pelo engenheiro e designer Fábio Birolini. Trata-se de um carro conversível, de 2 lugares, de alto desempenho e comportamento dinâmico esportivo, que dá início à marca Lobini. “A Chamonix foi escolhida porque ninguém mais no Brasil tem a experiência que eles têm na fabricação de carros em pequena série”, explica Lobo. “Além disso, Newton Masteguin, sócio fundador da Chamonix, é filho de Milton Masteguin, fundador da Puma. Estamos, portanto, falando de uma dinastia de respeito do automobilismo nacional”, completa. A Chamonix fabrica réplicas do Porsche Spyder 550 e 356 Speedster desde 1987, comercializando grande parte da sua produção nos Estados Unidos. A empresa é parte integrante do time de desenvolvimento do LOBINI H1 e será a responsável pela produção do carro, a ser comercializado pela Lobini Empreendimentos. Lobo e Fábio trouxeram ainda para o projeto o engenheiro mecânico e professor da UniFEI, Ricardo Bock, como consultor em chassi, suspensão e aerodinâmica. Para completar o time de engenharia e desenvolvimento, a Lobini foi à Inglaterra para contratar o engenheiro Graham Holmes, com 30 anos de experiência na fabricação de automóveis de pequena série. Fazem parte da equipe, ainda, o engenheiro e designer Carlos “Toya” Ponzio, o coordenador de testes Alaor Sposito, o responsável pela área industrial Roberto Ayres, sócio da Chamonix, e o consultor de marketing Marcelo Rossi. A primeira fase do projeto, iniciado em 1998, consistiu no desenvolvimento do modelo do carro em CIay (uma espécie de argila industrial), apresentado em uma clínica, em julho de 99, a um grupo de 30 profissionais - entre engenheiros e especialistas da área automotiva - que responderam a um questionário desenvolvido pela equipe. A partir das críticas e observações feitas por essas pessoas, construiu-se, então, o primeiro protótipo do Lobini H1, finalizado em novembro de 2000. A segunda clínica, realizada nesta época, recebeu a visita de 400 profissionais, colecionadores e amantes do automobilismo, que originou o segundo protótipo. Durante todo o ano de 2001, a equipe realizou testes de durabilidade e desempenho, enquanto aplicava as alterações sugeridas na clínica. A construção do segundo protótipo, a ser apresentado durante o Salão do Automóvel, começou no início de 2002. De acordo com Lobo, a idéia inicial do carro era bem mais simples, mas o projeto teve que se adequar a algumas exigências do mercado, como ar condicionado, direção hidráulica e capota. “Apesar disso, trata-se de um veículo leve, que se destina a devolver a sensação pura de pilotar um automóvel, com o mínimo de filtros entre o motorista e a máquina”, explica. Quase todas as peças do carro, chamado de “máquina de pilotar” por Lobo, como o chassi e a suspensão, foram desenvolvidas com exclusividade. “Não se buscou apenas resultados objetivos de performance, mas acima disso, satisfazer aos sentidos de quem está dirigindo”, explica. Duas preocupações básicas do projeto foram a segurança e o rigor técnico empregado na montagem. Para isso, o total de investimento gira em torno de U$ 500 mil só no desenvolvimento do carro. A Chamonix, responsável pela produção e estrutura de montagem, investirá cerca de U$ 200 mil. Mas a grande novidade é que o Lobini H1 segue a regulamentação inglesa de homologação de veículos, podendo ter a direção localizada à direita. Uma equipe brasileira de homologação também acompanhou todo o processo de construção. O motor, fornecido pela Volkswagen, é o 4 cilindros, 20 válvulas, 1.8 turbo, que também equipa o Audi A3. A aceleração de 0 a 100 km/h é inferior a 6 segundos e a velocidade máxima atingida é de 220 km/h. O carro é equipado com pneus Pirelli, possui peso inferior a 1000 quilos, freios a disco nas 4 rodas (desenvolvidos pela empresa Alfred Teves), tração traseira e suspensões independentes. Entre os diferenciais estão o cinto de segurança de 4 pontos, painel móvel em conjunto com o volante, botão de partida e portas de abertura elétrica de ação vertical. |
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Segundo o professor Ricardo Bock, um dos grandes desafios foi fazer um carro bastante resistente à torção. "O peso das peças oscilantes da suspensão foi estudado para ter o máximo de resistência com a menor massa possível". O carro também passou por testes de verificação de turbulência de vento e escoamento de ar do motor.
A exclusividade é um ponto forte do Lobini H1. A equipe pretende, por exemplo, estimular o comprador a investir em combinações inéditas de cores; para isso, o proprietário poderá escolher a combinação exclusiva através de miniaturas. “Além disso, o comprador que quiser repetir uma combinação de cores convencionais, terá que pagar uma taxa a mais”, afirma Lobo. O custo aproximado de venda de um Lobini, que esteve à disposição para reservas durante o 22º Salão do Automóvel, deve ser a partir de U$ 30 mil. A assistência técnica poderá ser feita em oficinas autorizadas, inicialmente em São Paulo. No próximo ano serão construídos novos protótipos, sendo que um deles com direção à direita, para o mercado inglês. A equipe realizará testes à exaustão em termos de durabilidade, operacionalidade e comportamento dinâmico, por todo o Brasil e sul da América do Sul. Resta esperar e torcer pelo sucesso de mais uma iniciativa, para produzir não apenas mais um carro verdadeiramente brasileiro, mas sobretudo um esportivo que tem linhas modernas e que promete desempenho digno de alguns bons esportivos europeus!
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