Mitsubishi Eclipse
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A história do surgimento de alguns carros, muitas vezes nos faz compreender as razões do seu sucesso ou fracasso e, até mesmo a sua importância no contexto em que está inserido. O esportivo que trazemos neste artigo é exemplo bastante bom do que significou na história recente do automóvel, particularmente na indústria automobilística japonesa e seu ingresso no concorrido mercado mundial de automóveis - o Mitsubishi Eclipse.
Apesar das origens nipônicas, o Eclipse nasceu com alma americana, já que é fruto de uma parceria entre a Chrysler e a Mitsubishi, que originou a DSM ou Diamond Star Motors. Esta empresa quase desconhecida no Brasil, foi formada inicialmente para produzir um esportivo para o mercado americano, aproveitando o complexo fabril da Chrysler, sem a necessidade assim de que a Mitsubishi tivesse que realizar investimentos em dinheiro e tempo para desenvolver a infraestrutura necessária para produzir o carro. À Chrysler, caberia participar recebendo transferência da teconologia dos japoneses. E foi dentro deste conceito que em 1990, o Eclipse fazia sua estréia nos EUA e a Mitsubishi ingressava no concorrido mercado americano de esportivos, através da DSM. Como fruto da parceria surgiram três carros: o Mitsubishi Eclipse, o Eagle Talon e o Plymouth Laser. Na verdade, os três eram Eclipses, mas só o carro da Mitsubishi levou este nome. O Talon era a versão Chrysler do Eclipse, sob assinatura da marca Eagle, que nada mais era do que uma marca fruto da DSM, da mesma forma que o Laser, a versão da Plymouth. Os carros eram quase idênticos e diferiam entre si apenas por um ou outro detalhe de acabamento e naturalmente pelos nomes e logotipos das marcas. Em termos do Eclipse, o carro já nasceu com vocação para o sucesso, tanto pelo seu design moderno e bem ao gosto americano, como pela qualidade mecânica introduzida pelos japoneses, oferecendo uma gama de opções para todos os gostos e bolsos. A versão GS, poderia vir em duas configurações diferentes de acessórios e motorização, começando com um motor 4 cilindros, 1.8 litros de 8 válvulas e 92 cavalos, passando a um 2.0 litros de 16 válvulas e 135 cavalos. A seguir na linha havia o modelo GST, equipado com outro 2.0 litros, também com 16 válvulas, porém com sobre alimentação através de um turbo compressor, que fazia o motor render 195 cavalos de potência. Entretanto, a grande novidade ficava por conta da versão GSX, que utilizava a mesma motorização do GST, mas dispunha de tração AWD, ou seja, nas quatro rodas. Particularmente, o Eclipse GSX foi o responsável por introduzir alguns conceitos que viriam a se consagrar mais tarde em outro carro da montadora japonesa - o Lancer Evolution. Ao dotar o Eclipse com um poderoso motor turbo, tração integral e permanente e controle de tração através de um diferencial de deslizamento limitado, a Mitsubishi acabou por criar um carro com um desempenho apenas igualado por modelos com motores muito mais poderosos. O consagrado motor 4G63, a tração AWD e o controle de tração passaram a equipar o Evolution, que com as inúmeras conquistas no WRC (Campeonato Mundial de Rally), fez a qualidade mecânica da montadora atravessar fronteiras. Em 1995, veio o primeiro redesign do carro e marcou o nascimento da chamada segunda geração do Eclipse. A chegada da segunda geração foi acompanhada apenas pela Eagle e o modelo da Plymouth deixou de existir. Apesar da DSM ter sido dissolvida em 1993, com o fim da parceria entre a Mitsubishi e a Chrysler, a divisão Eagle incorporou as mesmas alterações do Eclipse, no Talon. A segunda geração trouxe ao Eclipse um aspecto muito mais moderno e atual, com linhas arrojadas e bem mais atraentes, conferindo uma aparência mais esportiva e condizente com o desempenho do carro, que ficou ainda melhor graças ao novo desenvolvimento dos motores. Surgiu a versão RS, em substituição à GS básica e o motor 1.8 foi "aposentado" em favor do motor 420A, um 2.0 litros com 16 válvulas e 140 cavalos a 6000 rpm e 18 kgfm de torque a 4800 rpm, também usado na GS, diferenciada da anterior pelos acessórios. No topo da linha a GST e GSX, ainda equipados com o 4G63, mas que agora contavam com 210 cavalos de potência. Com a nova motorização, as versões top de linha ganharam um desempenho mais digno do carro, baixando de 7 segundos a aceleração aos 100 km/h e, estabelecendo 6.5 segundos para a versão GST e 6.3 segundos para a GSX, que levava certa vantagem em função da tração nas quatro rodas. A velocidade máxima chegou aos 235 km/h, mas em alguns mercados foi incluído um limitador, que restringia este limite em 210 km/h. Um ano após o lançamento da segunda geração, veio a versão Spyder (conversível) equipada com motores de 2.4 litros aspirado ou 2.0 litros turbo, apenas com opção de tração dianteira. Em 1997 - ainda na segunda geração - algumas pequenas alterações de ordem estética foram feitas no Eclipse, para diferenciá-lo um pouco do Talon. Basicamente, os faróis receberam novas curvas, assim como os faróis auxiliares, que foram também redesenhado e reposicionados no pará-choque dianteiro, que ganhou novas tomadas de ar. Um ano após, a versão da Eagle para o Eclipse, deixou também de ser fabricada, bem como todos os carros desta divisão da Chrysler. Enquanto, isto outros veículos da Mitsubishi, compartilhavam tecnologia e elementos de fabricação do Eclipse, como o já citado Lancer, o Mirage e também o Galant. Assim como da primeira para a segunda geração, mais cinco anos se passaram e no salão de Chicago de 2000, foi apresentada a terceira geração do Eclipse. Com a segunda geração veio o total rompimento com os tempos da DSM e um carro quase inteiramente novo surgiu. O visual agressivo continuou marcando presença, mas os projetistas do centro de estilo da marca deram formas mais arredondadas ainda ao esportivo. A carroceria, antes mais lisa e despojada, nesta geração passou a contar com vincos marcantes nas laterais. A inspiração no conceito SST, mostrado em Detroit em 1998, ficou evidente. Novo carro, também novas versões e motorizações. Os antigos 2.0 litros aspirado ou turbinado, deram lugar a um 4 cilindros de 2,4 litros, 16 válvulas e 154 cavalos, dotado de árvores de balanceamento (que diminuem as vibrações), e um inédito V6, de 3.0 litros, 24 válvulas e 200 cv. Ambos aspirados, marcando a eliminação do turbocompressor. Apesar da menor potência, a faixa de torque disponível no V6 ficou mais ampla que no turbo, proporcionando melhores respostas em uma faixa mais ampla de rotações. |
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Em termos de câmbio, além dos tradicionais manual de 5 velocidades e do automático com 4 e diferentes modos de pilotagem, o câmbio SPORTRONIC, que alia o conforto da transmissão automática com a esportividade do câmbio manual. Empurrando a alavanca para a direita você já está no controle da transmissão, fazendo as mudanças, com apenas um toque. No modo automático, o computador faz as mudanças com o sistema INVECS-II, onde um computador interno analisa a sua forma de dirigir, seja ela mais esportiva ou conservadora, e adapta as mudanças de marcha ao seu estilo. Além disto, há o TCL (Controle de Tração), fazendo com que em pistas escorregadias ou muito lisas seja evitado que os pneus girem em falso durante uma aceleração, facilitando o controle do veículo em qualquer velocidade.
Internamente o padrão de acabamento e opções que oferece, esta de acordo com a categoria do carro. O revestimento dos bancos anatômicos é em couro, com regulagem através de um controle elétrico, localizado na lateral do assento, que permite ao motorista ajustar a altura do assento, a distância dos pedais e da direção. O sistema de som além do rádio, possui CD player para até 4 discos. O ar condicionado tem suas funções mostradas em um display que exibe também os dados do rádio, do CD player e relógio. Apesar de ser um coupé com concepção para quatro pessoas, o espaço traseiro é restrito e mais adequado ao transporte de crianças, mas não podemos esquecer que sobretudo trata-se de um esportivo e não um veículo familiar. Um fato extremamente atraente neste esportivo e, particularmente nas suas gerações anteriores, é que alguns recursos, como limitador de pressão do turbo e controle de rotações do motor podem ser desativados, bem como receitas razoavelmente simples de preparação podem ser aplicadas ao Eclipse, fazendo com que o carro passe a apresentar números de desempenho bastante superiores. Certamente, é uma vantagem bastante grande, que se somada a razoável facilidade de encontrarmos um modelo destes rodando aqui no Brasil, torna este esportivo uma opção bem interessante. Em relação ao Eclipse importado para o Brasil, atualmente a Mitsubishi só oferece a versão equipada com o motor V6!
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