Um sonho muito caro!

Não é todos os dias em que uma empresa resolve criar uma carro que custa US$ 805.000,00, investe recursos financeiros pesados, engenheiros e toda uma estrutura milionária para produzir apenas três unidades de um carro que por muitos anos esteve entre os mais rápidos do mundo. Outro fator que causa no mínimo estranheza, é o fato de que esta pérola foi criada por um fabricante que não tem o hábito de fabricar carros, mas sim motos - trata-se do Yamaha OX99-11!

A Yamaha chama esse carro de Grand Prix SuperCar, afirmando que ele é produto de quatro longos anos de desenvolvimento e manufatura de motores de ponta. O motor 3.5 litros de Fórmula 1 é colocado num monocoque de fibra de carbono, com banco central. Tire a "pele" externa e você fica com um F1 pronto para correr.

A empresa possui uma subsidiária na Inglaterra, chamada Ypsilon Technology, na cidade de Milton Keynes e, desde 1990 tem o papel de servir de base de manutenção e fornecimento de motores para a Fórmula 1. Essa companhia foi encarregada de desenvolver, produzir e comercializar o OX99-11, já que ela emprega artesãos automotivos ingleses, considerados por muitos o melhores do mundo no segmento.

Esses engenheiros foram encarregados de desenvolver uma carroceria que gerasse tanta força aerodinâmica vertical sobre eixos do carro, que dispensasse o uso de spoilers, asas e outros artifícios. O carro seria feito totalmente a mão, na melhor tradição britânica de carrocerias especiais. O desenho resultante é de uma asa invertida, uma super estrutura em forma de cunha sobre um fundo em curva constante da frente até a traseira e uma carlinga alongada sobre o cockpit - como em um caça a jato.

Na frente entre os arcos da rodas, os desenhistas integraram um aerofólio com ângulo de ataque definido em computador e túneis de vento. Na traseira um lábio ou "rabo de pato", também com papel aerodinámico importante. Em baixo o carro é livre de componentes mecânicos aparentes, seja da suspensão ou da transmissão, adotando um assoalho semelhante aos carros da Fórmula 1.

A estrutura é em fibra de carbono e Kevlar, os painéis externos são de alumínio. Os vidros são atérmicos e antiembaçantes. Atrás do banco central do motorista e ligeiramente a esquerda há lugar para um passageiro pequeno. A suspensão é logicamente independente nas quatro rodas, por braços triangulares superiores e inferiores, longos e finos. A direção é mecânica sem assistência e o volante é pequeno cortado embaixo e destacável e assim como o assoalho e a suspensão, também foram inspirados em um Fórmula 1.

Os freios são a disco nas quatro rodas, também sem assistência, com pinças duplas e quatro pistões cada um. A embreagem é composta por disco duplo. Os pneus são Goodyear 245/40Z R17 na frente e 315/35Z R17 na traseira, sobre rodas 9 x 17 na frente e 12 x 17 atrás.

O item principal responsável por dar vida a todo o conjunto é o motor, V12 a 70 graus, de 3.498 cm, 60 válvulas (5 por cilindro) e 450 cv, capaz de operar entre 1.200 a 10.000 rpm e totalmente emissionado. A transmissão é mecânica, de seis marchas com alavanca de mudanças à direita do motorista com cursos ultra-curtos. Seu desempenho é de causar inveja a muitos carros de corrida. Acelera de 0 a 100 km/h em apenas 3.2 segundos e sua velocidade máxima é de 350 km/h!

Foram produzidas e comercializadas apenas 3 unidades deste bólido e pouco se sabe das reais razões para isto, seja porque a Yamaha imaginava ter melhor desempenho em sua breve participação na Fórmula 1, de onde vinha a base mecânica para o carro, seja pelo seu elevadíssimo preço ou ainda como se especula, que a empresa queria apenas provar que era capaz de produzir um super carro!

A história deste motor!
No final da década de 90, precisamente em 1989 a Yamaha decide participar da Fórmula 1, produzindo motores V8 designados OX88 que inicialmente foram fornecidos para a recém-chegada equipe Zakspeed. Foi um desastre, já que nem Bernd Schneider nem Aguri Suzuki conseguiam classificar o carro e em 1990 a Yamaha se retira da categoria, para retornar em 1991 com um novo motor V12 que equipava os carros da equipe Brabham que pontuou em duas provas daquela temporada. Em 1992, o motor foi para a equipe Jordan que pontuou apenas em uma prova. Em 93 a Yamaha tira oficialmente o nome da categoria, entretanto estabelece uma parceria com John Judd, responsável por fornecer motores para a Tyrrel, permancendo até 1996 na F1.