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Apesar de já ter muitos adeptos em 1903, a maioria das pessoas achava que o automóvel não passava de um brinquedo de rico - aliás, um brinquedo barulhento e perigoso. Os jornais vociferavam contra a “máquina do terror”, que atropelava crianças e fazia cavalos saírem em disparada. Os animais eram o parâmetro de velocidade. Em cidades como Antuérpia, na Bélgica, os automóveis não podiam andar mais rápido do que as carruagens. Na Suíça, cantões inteiros baniram os carros e na Áustria as mulheres eram proibidas de dirigir. Em outros lugares, porém, alguns acontecimentos discretos abriam o caminho para a era do automóvel.
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Em 1903, o Parlamento británico elevou o limite de velocidade de 19 para 32 quilômetros por hora, fazendo uma média entre as exigências dos motoristas mais afoitos (que não aceitavam qualquer limite) e os fazendeiros (que queriam pôr os carros na ilegalidade).
No mesmo ano, a Companhia do Serviço Expresso Motorizado de Londres colocou na praça o primeiro táxi a gasolina do mundo: o único entre os 11,4 mil táxis puxados a cavalo. Em 1914, no entanto, os táxis eqüinos caíram para 1 400 em Londres, um para cada cinco táxis motorizados.
Nos Estados Unidos, 1903 foi o ano em que o médico H. Nelson Jackson e seu motorista, Sewall K. Crocker, fizeram a primeira viagem transcontinental de carro. Eles foram de São Francisco a Nova York em 63 dias num Winton Tourer, sem que trilhas de terra e desertos os detivessem. Naquele mesmo ano, em Michigan, o filho de um fazendeiro, Henry Ford, fundava uma empresa que revolucionaria não só a emergente indústria automobilística, mas toda a indústria.
Aos 40 anos, Ford já tinha feito duas tentativas de fabricar carros, mas desta vez, ele tinha um exemplo a seguir. Em Detroit, Ransom P. Olds estava batendo recordes de produção mundial (3 mil carros em 1903) com seu pequeno e acessível Oldsmobile. Ford, com uma ajuda financeira de 28 mil dólares de um negociante local de carvão, começou a competir com o Olds e, em 1907, suas vendas ultrapassaram todas as outras do setor. No ano seguinte, Ford lançou o simples, durável e acessível Modelo T, o primeiro carro de passageiros projetado para as massas. Em 1913, para atender à crescente demanda, ele implantou a primeira linha de montagem.
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