Jaguar X-Type
Os últimos anos marcaram muitas mudanças na indústria automobilística mundial, sendo que praticamente todas elas vieram como resultado pela busca de lucros, mais do que para atendimento de desejos do mercado. Com isto, muitas das tradicionalíssimas marcas européias responsáveis pela produção em pequena escala de verdadeiras obras de arte sobre rodas, foram incorporadas pelas grandes montadoras, transformando-se e produzindo carros que até poucos anos seriam inconcebíveis. Um exemplo claro desta nova tendência mundial, vem sendo a Jaguar.

Adquirida pela Ford em 1989, a tradicional empresa inglesa, sempre caracterizada pela produção de luxuosos clássicos, vem nos últimos anos apresentando em seus modelos um forte indício dos novos tempos. Primeiramente através do S-Type e desde 2001 com o X-Type, a marca vem tentando uma guinada em seu conceito de fabricação de clássicos destinados a uns poucos refinados e abastados consumidores. O maior símbolo desta "popularização" da marca, fica por conta do Jaguar X-Type.

Apesar de seu pouco tempo de vida, o X-Type merece a insígnia de clássico devido ao seu nascimento, herdando alguns dos mais nobres traços que sempre caracterizaram um legítimo Jaguar, a começar pelas inconfundíveis linhas externas, que fazem com que o pequeno felino saltando à frente do capô ou o nome da marca estampado em sua traseira, sejam apenas a confirmação de sua origem.

Os faróis quádruplos redondos, agrupados dois a dois à frente do longo capô, entremeados pela grade cromada, a também típica traseira não menos longa com certa caída em relação à cintura do veículo e que ostenta a dupla saída de escapamentos na linha das lanternas, são marcas registradas do carro, cuja única novidade realmente chamativa externa, fica por conta das dimensões reduzidas em relação ao que usualmente se tem em outros modelos conhecidos da empresa britânica.

Na verdade existem duas razões básicas para justificar seu tamanho: a primeira vem do fato que o X-Type foi concebido para concorrer no crescente e lucrativo mercado hoje disputado pelos BMW série 3, Audi A4 e Mercedes Classe C. A segunda vem da necessidade vital de redução de custos e emprego de processos de produção mais eficientes e modernos, utilizando para isto, o compartilhamento da plataforma produtiva do Ford Mondeo, do qual emprega diversos elementos mecânicos.

Mesmo tendo que emprestar componentes de um veículo de origem não tão nobre, na construção do X-Type procurou-se manter alguns itens típicos de um Jaguar, como a aplicação de couro e acabamentos de madeira em algumas regiões internas e, sobretudo nos padrões de acabamento. Entretanto, o console central denuncia seu parentesco com o carro da Ford, do qual empresta os acessórios. Algumas novidades entretanto, são exclusivas por enquanto, como o novo computador com tela de cristal líquido de 7 polegadas e sistema "Touch Screen", que entre outras funções, conta com sistema de navegação por DVD, controle climático, sistema de áudio Alpine de 120 W e, quando ajustados sistema de sintonização de sinal de TV e de telefonia celular, com comando vocal.

Em termos mecânicos, outro aspecto evidente do processo de incorporação da Ford, vem das opções de motor, desenvolvidos para utlização tanto no Mondeo como no X-Type, apesar de que no modelo britânico os motores recebam uma designação própria típica da marca. O AJ-V6 é um motor de alumínio, seis cilindros em "V" com bancadas dispostas a 60º, cilindros reforçados de desenvolvimento Cosworth e 24 válvulas controladas por duplo comando variável no cabeçote, também em alumínio. Este motor está disponível nas versões de 2.5 e 3.0 litros, ambas baseadas no mesmo bloco, mas com diâmetros de cilindros diferentes para se conseguir volumes diferentes.

O motor menor (2.5 litros) produz 194 cavalos de potência a 6800 rpm, capazes de o levar aos 100 km/h em 8.3 segundos e máxima de 225 km/h. Na versão de 3.0, a potência é 37 cavalos superior, atingindo 231 cavalos nas mesmas 6800 rpm e 29 kgfm de torque, com 90% disponíveis entre 2500 e 6000 rpm, sendo o pico a 3000 rpm. Acelerações e velocidades máximas deste motor variam em função do modelo e do pacote que equipa cada um, já que existem diferenças quanto ao câmbio, tamanho das rodas e peso do veículo, mas variam de 7.0 a 7.5 segundos para aceleração e de 230 a 235 km/h para velocidade máxima.

Outro aspecto inédito no X-Type e que também é consequência do seu parentesco com o Ford Mondeo, é a tração integral nas quatro rodas. Duas opções eram possíveis na época de seu projeto, sendo a primeira o uso de tração dianteira como no modelo Ford ou a integral, que é uma alternativa no modelo americano. Escolheu-se então a integral para adequá-lo mais às características da tradicional tração traseira que sempre equipou os carros da Jaguar. Neste sistema integral, por padrão 60% do torque é transferido às rodas traseiras, até que os sensores identifiquem patinagem de alguma das rodas, situação em que o diferencial de acoplamento viscoso transfere então o torque para o eixo traseiro ou dianteiro de acordo com a necessidade.

Para o motor 2.5 litros, apenas uma opção de modelo equipada com câmbio de 5 velocidades manual. No caso do motor 3.0, a mesma versão Standard, e a Special Equiment e a Sport, que contam com o mesmo câmbio de 5 marchas manual ou um automático também de 5 velocidades com modo econômico e esportivo de condução. As rodas são 16 polegadas em toda a linha, exceto na versão Sport que recebe 17 polegadas, além de pneus especiais mais largos e recalibragem de molas e amortecedores.

A estrutura da carroceria recebeu tratamento especial a fim de aumentar a rigidez torsional, não apenas para garantir maior estabilidade e melhor dirigibilidade, como também segurança. Assentado sobre uma suspensão McPherson à frente e Multi-Link atrás e contando com o sistema de gerenciamento de estabilidade DSC (Dynamic Stability Control), a condução do X-Type é bastante segura, sobretudo na versão Sport que conta com rodas maiores e calibragem mais firme da suspensão. Completam o pacote de segurança, freios ABS quadricanal, que atuam sobre os discos das quatro rodas e auxílio do EBD (Eletronic Brakeforce Distribution), duplos Air Bags dianteiros de duplo estágio e mais quatro bolsas laterais para ocupantes dianteiros e traseiros.

Certamente muitos puristas da marca torceram o nariz quando do anúncio do X-Type e de todo o pacote de itens que ele compartilharia com o Mondeo, além da já aclamada "popularização" da marca que não mais restringiria a aquisição de um Jaguar por parte de apenas uns poucos afortunados. Entretanto, não resta dúvida de que apesar de todos estes "defeitos", trata-se de um legítimo Jaguar e que mesmo estando mais acessível, ainda são necessários cerca de R$ 150.000,00 no caso da versão mais "barata"! Para aqueles que ainda sonham com um clássico felino inglês, mas cujo valor ainda é proibitivo, a empresa já começou a produzir a versão 2.0 litros e 157 cavalos que deverá ser um pouco menos salgada, mas que por enquanto só está disponível no mercado europeu.

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Modelo
Jaguar X-Type 3.0
Motor:

Cilindrada:
Diâm. X Curso:
Potência:
Torque:
Vel. Máxima:
Aceleração:

Transmissão:
Freios:
Pneus:

Comprimento:
Largura:
Altura:
Entre-eixos:
Peso:
3.0 litros, dianteiro, 6 cilindros em "V", 24 válvulas DOHC, injeção eletrônica multiponto, módulo central de 32 bits.
2968 cm³
89,0 mm X 79,5 mm
231 cv @ 6 800 rpm
29,0 kgfm @ (2500 - 6000 rpm)
234 km/h
(0 - 100 km/h) 7,5 s

Manual, 5 velocidades
ABS e EBD, discos ventilados nas rodas dianteiras e sólidos atrás.
P 225/45 ZR 17

4672 mm
1789 mm
1392 mm
2710 mm
1595 kg