Jaguar XJ
Muitas vezes as origens de um clássico constituem parte importante da história de tradicionais fabricantes e, não é diferente no caso que vamos apresentar neste artigo. Justamente por isto, faz-se necessário contar um pouco da história de um dos mais tradicionais e conhecidos fabricantes de automóveis - a inglesa Jaguar.

Nascida na cidade de Blackpool, em Setembro de 1922, sob fundação de William Lyons (com apenas 21 anos na época) e William Walmsley, a empresa foi batizada de Swallow Sidecar Company e, como o nome faz supor, inicialmente dedicava-se a fabricação de sidecars. A qualidade e o design diferenciado de seus produtos, logo fizeram a Swallow produzir carrocerias para chassis de outros fabricantes e a seguir, em 1931 a produzir seu primeiro carro.

Batizado como SS, o primeiro carro da ainda Swallow foi um sucesso e já trazia características que se tornariam próprias da marca - estilo e desempenho esportivo. Mas a despeito da popularidade do SS, em 1935 Walmsley deixa a compania. No mesmo ano, surge o primeiro modelo que levaria o nome Jaguar - o SS Jaguar. Outros carros foram concebidos sob este nome e tornaram-no tão "popular", mas apenas em 1945 a empresa seria rebatizada de Jaguar Cars Ltd.

Ao longo dos anos em que Sir William (título recebido em 1956) esteve a frente da Jaguar, mostrou seu talento e visão para criar um estilo próprio e uma identidade que tornaram o nome Jaguar um ícone na história do automóvel. A prova disto veio de algumas séries que tornaram-se célebres como o XK120 apresentado em 1948, o sedan de luxo Mark VII de 1950, o famoso e lendário E-Type em 1961 e por fim o último feito antes do seu afastamento da Diretoria Executiva da Jaguar, com a criação do maior sucesso de vendas da montadora britânica, o XJ6, em 1968. Foram vendidos mais de 800.000 unidades do XJ, entre as diversas séries e modelos, constituindo mais da metade de todos os modelos comercializados pela empresa!

A série XJ, foi responsável por alguns marcos importantes na história da Jaguar, merecendo sempre cuidados e atenções especiais em todas as suas 7 (sete) gerações, ao longo dos mais de 35 anos de vida. Luxo, inovação tecnológica, desempenho esportivo, design, enfim tudo o que sempre houve de melhor foi e ainda é reservado a série XJ. Desde os sedans de luxo, passando pelos modelos top da linha, aos carros que disputaram LeMans e a super máquina XJ220, a sigla sempre teve um lugar de destaque dentro da marca.

A prova definitiva do lugar de destaque que o XJ tem para a marca, veio em setembro de 2002, quando foi apresentada no Salão de Paris, a sétima geração do XJ, celebrando exatos 80 anos de criação da então Swallow Sidecar Company, por William Lyons. O modelo apresentado na mostra, refletia literalmente o que o carro significará para a marca, em primeiro porque o XJ exibido não recebeu pintura e ao invés disto a sua carroceria em alumínio foi toda polida, deixando-o tão brilhante quanto uma jóia. Em segundo, pois segundo a própria Jaguar divulgou, o XJ2004 é o melhor XJ de todos os tempos, reunindo o que há de melhor na marca.

Esteticamente, não é necessário nem mesmo ser um aficcionado pelo carro, para reconhecê-lo como um autêntico XJ. Toda a ousadia e inovações de estilo presentes no X-Type e principalmente no S-Type, aqui dão lugar ao conservadorismo visual que caracterizou o carro e a marca. O duplo conjunto ótico assimétrico, a ampla grade a frente do longo capô vincado, a linha da cintura baixa, entre outros elementos, ao mesmo tempo que o assemelham às seis gerações anteriores, o distinguem como um autêntico felino britânico.

Um dos pontos altos do carro, é a estrutura e a carroceria feitas quase totalmente em alumínio e utilizando técnicas de construção semelhante às empregadas na indústria aeronáutica, o que reduz seu peso em 40% em relação às costumeiras chapas de aço. Outro benefício da adoção do material e da tecnologia de fabricação, é a rigidez estrutural, que aumentou em 60%, contribuindo tanto para o desempenho como para segurança e durabilidade do conjunto. O Magnésio, que consegue ser ainda mais leve e tem resistência mecânica semelhante, foi usado na estrutura transversal que sustenta o painel, a base dos bancos e a coluna de direção. A leveza e rigidez do carro, permitiu que o novo XJ seja mais longo, largo e baixo que seu predecessor.

Internamente, não há muito o que falar e o que esperar, já que como um digno e legítimo representante desta nobre linhagem, só se podia encontrar muito luxo e requinte. Além dos revestimentos em couro e madeira nobre, muita tecnologia a serviço do bem estar e do prazer de estar abordo de um clássico como este. Os bancos dianteiros são ajustáveis eletricamente em 16 posições diferentes, com apoio lombar em quatro regulagens diferentes, ajustes elétricos dos bancos traseiros, pedaleira e coluna de direção regulável, permitindo ergonomia adequada aos mais diversos portes físicos, diversos sistemas acionados por voz (áudio, navegação por satélite, climatização e telefone), monitores de vídeo em cristal líquido nos encostos dianteiros (três fontes de áudio, vídeo ou jogos eletrônicos podem ser acionadas em simultâneo no veículo) e quatro áreas de climatização independente no interior do veículo, compõem alguns dos features do XJ.

Do ponto de vista mecânico, o XJ contará com quatro opções de motorização, sendo três delas baseadas nos tradicionais V8 e uma no V6, resgatando a configuração original do XJ6 de 1968. O modelo top de linha será o XJR, que receberá o um motor V8 de 4.2 litros supercharger, que gera 400 cavalos. Logo a seguir, o XJ8 (ou simplesmente XJ), é equipado como o mesmo propulsor, porém com aspiração natural e 300 cavalos de potência. O terceiro V8, é um motor mais "compacto", de 3.5 litros e desenvolve 262 cavalos. O AJ-V6, completa as quatro opções, com um bloco de 3.0 litros e seis cilindros em "V", com 240 cavalos, que nada mais é do que uma evolução da motorização do X-Type.

Todas quatro motorizações recebem um câmbio automático ZF de seis velocidades, q ue foi inicialmente introduzido no S-Type e que no caso do XJ, foi redimensionado. A suspensão independente nas quatro rodas utiliza-se do sistema Double Wishbone. A novidade fica por conta do sistema a ar, com gerenciamento através do CATS (Computer Active Technology Suspension). Este sistema faz com que a suspensão tenho um comportamento ativo e auto-regulador, ajustando-se automática e dinamicamente conforme as mais diversas condições de pilotagem.

Recursos como controle de tração, controle de estabilidade (DSC - Dynamic Stability Control), sistema quadricanal de freios com ABS e assistência de frenagem de emergência, entre outros tantos recursos e tecnologias de segurança e de desempenho, completam o quadro de características de um dos maiores e melhores clássicos de todos os tempos. O início de suas vendas está previsto para o último trimestre de 2003, como modelo 2004. Dados técnicos mais específicos e detalhados, como por exemplo desempenho, serão oficialmente declarados pela Jaguar, somente às vésperas de sua comercialização.

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