Auto Falantes II - Quando a quantidade faz a diferença...
No artigo passado, falamos sobre os tamanhos adequados dos alto-falantes, definindo suas medidas para que, em conjunto, possam cobrir perfeitamente toda faixa de freqüências audíveis. Neste artigo veremos qual a quantidade ideal a ser utilizada.

A quantidade de alto-falantes que se deve utilizar em um projeto vai depender sempre de dois fatores:

1º - Objetivo: se você precisa de qualidade ou volume.

Ao planejar um projeto de som, você pode escolher entre: qualidade, volume (intensidade sonora) ou ainda um meio termo entre qualidade e volume. Se o objetivo é obter qualidade, use poucos alto-falantes. Assim, há melhor focagem. Confira as figuras 1 e 2. São dois bons exemplos de sistemas para qualidade.

Caso a opção seja um sistema como o da figura 2, tenha apenas o cuidado de não deixar que o som dos alto-falantes traseiros predomine dentro do carro. A figura 1 é mais indicada para veículos do tipo hatch (Uno, Gol, Corsa, entre outros), picapes (Courier, Saveiro, entre outros) ou pequenos sedãs (Corsa, Clio, entre outros) onde se vai instalar um par de pezinhos. Já a figura 2 é mais indicada para veículos conversíveis (Miata, Escort, entre outros), vans (Besta, Topic, entre outros) ou grandes sedãs (Vectra, Santana, entre outros) com ou sem a instalação de pezinhos.

Vamos supor, agora, que você já tem um sistema com ótima qualidade (como o da figura 1), mas ainda sente falta de algum volume. Então, você terá de fazer algumas alterações. Para aumentar a intensidade sonora (volume) de um determinado sistema, só existem três coisas a fazer:
  1. Aumentar a potência aplicada.
  2. Aumentar a quantidade de alto-falantes.
  3. Aumentar a potência aplicada e a quantidade de alto-falantes.
Qual dessas alternativas você escolheria para não abrir mão da qualidade? Acertou quem escolheu a alternativa (a). Se você quiser ter um som com qualidade e mais intensidade sonora, deve tentar aumentar apenas a potência aplicada aos alto-falantes, conforme as figuras 3 e 4. Mas atenção: ao aumentar a potência, procure respeitar os limites de seus alto-falantes. Caso não suportem receber mais potência, você deverá substituí-los por outros, mas mantendo a mesma quantidade.

Em um sistema de som mais simples, do tipo trivial (um som do dia-a-dia), em que não há uma preocupação exagerada com qualidade, uma boa forma de aumentar a intensidade sonora seria a opção (b). Dessa forma, um sistema como o da figura 2 (um kit original + subwoofer) forneceria mais intensidade sonora se fosse transformado em um sistema como o da figura 5.

Note: foram acrescentados um par de coaxiais na frente (pezinho), um par de coaxiais ovais na traseira (tampão) e um outro subwoofer (porta-malas).

2º - Capacidade do amplificador: você deve respeitar o limite de impedância da saída do amplificador.

É incrível o que algumas pessoas fazem com os amplificadores: vão ligando os fios de vários alto-falantes (positivo com positivo e negativo com negativo) sem se importar muito com o resultado da ligação. Até o amplificador começar a superaquecer e desligar por alguns minutos (para depois voltar a funcionar). Já vi gente colocar uns ventiladores para "enganar" um amplificador que desliga depois de esquentar muito. O amplificador até parou de superaquecer. Em compensação, o que se obteve foi menos potência do que o equipamento poderia liberar e um som de péssima qualidade.

Não há como ligar aleatoriamente alguns alto-falantes a um amplificador sem analisar qual o valor resultante da impedância desses alto-falantes e qual o tipo de ligação (série ou paralelo ou ainda série/paralelo) que será mais adequada para a situação. Bem, mas esse é o tema do nosso próximo artigo. Até mais.

Matéria cedida pela Revista SOM & CARRO
Autor: Marcello Lacerda de Almeida, Criador do software X2 e X1, Autor do livro Som Automotivo e Instrutor da 2FAST4U